Foi um RCA bem composto aquele que recebeu os portuenses ANZV, na noite que marcou o regresso do quinteto ao sul e, novamente, a banda mostrou que é muito mais que Black Metal ou o que lhe quiserem chamar.




Mais do que um concerto o que o quinteto, que em 2022 lançou o excelente "Gallas", oferece é toda uma purga onde o incenso e a mirra são muito mais que meros aromas ou artefactos. Além disso, há todo o misticismo e todas as influências (líricas, mas não só) orientais trazidas de terras da Mesopotâmia. Ahnum é o mestre de cerimónias, enquanto que Trevash é, com o seu baixo pulsante, a guia perfeita para uma intensidade capaz de deixar os mais incautos surpreendidos. Os ANZV são, ao vivo, uma mistura de Gaerea com Watain, ainda que com as devidas distâncias temporais e conceptuais. O quinteto deu a prova de vida e um sinal de que vieram para ficar, nós agradecemos e o público não ficou indiferente a esta homilia que nos transportou para outros tempos, idades ou territórios. Habemus banda!




Da cidade do Lis, os Dallian foram irrepreensíveis. O quarteto, que se prepara para lançar novo álbum, mostrou-se em grande forma e o seu Death Metal de cariz progressivo está cada vez mais eficaz e oleado. Com Carlos Amado e Ricardo Carniça a dividirem as vozes e as guitarras é no guitarrista Leandro Faustino (uma espécie de Dimebag Darrel que se encontra com Jimmy Page) que a banda encontra o seu equilíbrio e rumo. Os temas conseguem ser tudo em momentos instrumentais que se alimentam da espiritualidade e da crítica social para despertar a consciência e os movimentos corporais que se tornam intempestivos e essenciais para purgar os demónios que dançam em cada um de nós. Este foi um excelente regresso à capital.




Em suma, se Shakespeare escreveu "Sonho de uma Noite de Verão" os ANZV e Dallian escreveram a "Homilia de uma noite Quente" e o público, que ouviu o chamamento, apresentou-se em bom número para uma noite que, esperamos, se repita vezes sem conta.
Texto e Fotos: Nuno C. Lopes