APOTHEUS - A Saga Continua

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A poucos dias de pisarem o palco do Comendatio Music Fest e com um novo álbum a caminho, estivemos à conversa com os Apotheus para (tentar) abrir a caixa de Pandora espacial. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns por «Ergo Atlas». Qual o sentimento em torno deste disco e qual a vossa opinião em relação ao produto final?

Apotheus: Antes de mais, obrigado pelo convite e dar-te os parabéns pela HellHeaven.

Respondendo à tua pergunta: o “Ergo Atlas” é a sequela direta do universo criado em 2019 - no primeiro trabalho da saga - o “The Far Star”. Desenvolver o conceito é desafiante e especialmente na parte musical em si, porque achamos que explorámos para lá da nossa zona de conforto no “The Far Star”, mas sem dúvida que agora podem esperar por sonoridades, composições, ambientes e estéticas ainda mais distintas. Acho que a palavra para descrever o “Ergo Atlas” (para quem segue o nosso trabalho) será “Surpreendente” e estamos manifestamente orgulhosos a todos os níveis.

 

HellHeaven: Sendo este o terceiro álbum, e tendo em conta a excelente recepção dos anteriores, sentiram alguma espécie de pressão ou responsabilidade para este lançamento?

Apotheus: Não. Nunca sentimos pressões até porque a nossa maior missiva é (sempre foi e penso que sempre será) fazer o que gostamos, respeitando as origens, mas explorando aquilo que nós como indivíduos e artistas vamos sentindo, exprimindo sem barreiras e tecnicamente melhorar seja no departamento literário, musical, técnico, audiovisual, estético e ao vivo. Gostamos de pensar numa ideia de um futuro cheios de orgulho daquilo que fazemos, há já 15 anos.

 

HellHeaven: Ainda falta algum tempo até o álbum ser lançado (23 Setembro), no entanto o que nos podem dizer acerca do novo álbum e do seu conceito? Ao mesmo tempo, quais são as expectativas em relação ao disco?

Apotheus: Uma nota: o disco sai a 15 de Setembro (risos)

O novo conceito, como disse anteriormente, é a continuação do disco lançado em 2019 e desta feita fala sobre o super-organismo de inteligência artificial “GODS” (figura central neste segundo trabalho) e a sua urgente e (aparente) malévola intenção de conquistar todos os seres vivos e toda a vida sob forma de “unificação”. Temos lançado periodicamente cada tema do novo álbum assim como as estórias que o acompanham, de uma forma bem atual e prática! Podem acompanhar todos os capítulos literários do nosso novo livro e audiolivro, lançado numa plataforma que criámos em thefarstar.apotheus.net 

Relativamente às expectativas, honestamente, só queremos que o maior número de pessoas possam ver, ouvir, ler e degustar o que andamos a fazer há já uns anos! (risos)

 

HellHeaven: Este acaba por ser o «teste de fogo» do Luis Monkey na banda, sendo que é o primeiro LP lançado com ele, como olham para a prestação dele e o que trouxe ele aos Apotheus?

Apotheus: O Luís pertenceu à banda como baixista, há muitos anos e - já agora - gravou o primeiro álbum “When Hope and Despair Collide” no baixo. Saiu em 2013 mas desde 2019 que ingressou na posição do Tiago Santos, desta feita, na guitarra. Pela sua personalidade, o Luís traz calma, sentimento e “boa onda” a todos nós e em todos os momentos e processos, pelo que estou certo que irão ter um pouco de Luís ao longo do novo álbum, sem querer “spoilar” o que aí vem! (risos)

 

HellHeaven:Ainda que em Portugal exista um grande número de pessoas que ouvem progressivo, parece existir um distanciamento em relação às bandas do género cá dentro. Sentem esse distanciamento? Como é ser uma banda Progressiva em Portugal?

Apotheus: Com franqueza, não nos consideramos apenas uma banda “progressiva”. Existe uma necessidade e hábito de rotularmos e categorizarmos todos os produtos, mas com sinceridade, nós cremos que apenas tentamos fazer uma coisa : música. Como disse, não criando barreiras, nem sendo redutores, a progressividade na nossa música dá-se naturalmente pelas nossas influências, pelo teor narrativo da composição literária que acompanha o conceito, dos seus momentos, vindas e desavindas, nuances e atmosferas. Creio que até será vantajoso: tocarmos num festival mais generalista ou de metal, por nós, tudo bem. Nunca nos sentimos deslocados, até porque fazemos questão de criarmos um espetáculo ao vivo para todos!

 

HellHeaven:Depois de 2 anos de Pandemia e, agora, com o «Ergo Atlas», parecem estar a recuperar o tempo perdido no que toca a apresentações ao vivo. Tem sido desafiante encontrar o espaço para colocar os Apotheus no mapa?

Apotheus: Tem sido desafiante, sim. Está a haver muito trabalho de várias partes para encontrar apenas as melhores condições logísticas para levarmos os nossos espetáculos “The Far Star” e “Ergo Atlas” para os poucos palcos em Portugal e também para fora dele. Mas como somos conhecidos por abraçar desafios, este será apenas mais um. Acreditamos que passo a passo o público não ficará indiferente ao trabalho musical, literário e visual que estamos a desenvolver e as portas irão abrir-se. Afinal de contas, só fazemos isto com um propósito : partilhar a nossa obra e inspirar os outros com ela.

 

HellHeaven:As próximas datas serão em 2 festivais, no Laurus Nobilis e no Comendatio. O que podemos esperar desses concertos e como se sentem ao partilhar o palco com bandas como Caligula's Horse ou Katatonia, por exemplo?

Apotheus: Estamos realmente felizes por podermos levar o nosso espetáculo a eventos que acompanhamos desde as suas géneses! Tocar para um público do metal melódico e do progressivo é certamente o melhor que podemos almejar em Portugal. Fica o convite!

 

HellHeaven:Consideram que, nestes tempos onde as dificuldades e desafios são cada vez maiores para bandas e promotores, continua a existir algum receio em colocar as bandas nacionais em palco ou, por outro, começam a sentir mudanças e a «distância» começa a diminuir?

Apotheus: Penso que o risco existe, realmente. Num país tão pequeno, um festival facilmente entra em prejuízos se colocar uma boa parte do seu plantel com artistas que infelizmente só conseguem estar ativos tocando num raio pequeno, o que fará naturalmente com que o público fique saturado. Isto é um problema real, que nós próprios nos deparamos há muitos anos, mas que estou certo que com a devida insistência e mais argumentos por parte dos artistas em Portugal, os promotores acabarão por apostar cada vez mais nos melhores talentos e melhores prestações ao vivo do nosso país.

 

HellHeaven:Estão já a meio da segunda década de existência, qual o balanço que fazem e como observam o crescimento e evolução da banda?

Apotheus: Sendo curto e honesto: parece que começamos há pouco. Fez-nos bem crescer juntos e evoluir como homens. Aquilo que pensávamos há uns anos faz cada vez mais sentido agora: queremos fazer algo especial. 

 

HellHeaven:Qual a mensagem que deixam…

Apotheus: Acompanhem a viagem. Dos livros, aos vídeos, à música e especialmente ao vivo, onde podem experimentar toda a narrativa e sentir cada momento da nossa viagem espacial.

 

 

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