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Segundo registo do ciclo “Disharmonium” para o trio francês Blut Aus Nord que, a cada novo registo, se parecem afundar mais pelas camadas da Terra rumo a uma qualquer catacumba feita de espíritos malignos e assombrosos. Depois do primeiro capítulo, aclamado por critica e público, os franceses entram, novamente, em territórios inóspitos e densos, com pouco espaço para fuga. Olhar para este “Nahab” enquanto objecto apenas musical é uma tarefa árdua, contudo, enquanto peça de arte é deveras mais fácil. Tudo aqui é dissonante, as guitarras ressoam e afundam-se em vozes vindas das profundezas do Mal, mas tudo se vai transformando numa estranha cacofonia que se vai entranhando ao ponto de não a conseguirmos parar, como se impelidos para um universo paralelo onde Lovecraft, também ele afunda, tal a obscuridade lamacenta que encontramos ao longo das 11 faixas de “Nahab”. Quando chegamos ao fim não sabemos o que se passou e não sabemos se queremos regressar e, se o fizermos será por nossa conta e risco. Os Blut Aus Nord conseguem mostrar a sua devoção ao Horror mas, ao mesmo tempo, talvez tenham arriscado demais. “Nahab”, enquanto arte é intocável, como música ficam muitas dúvidas.
Texto: Nuno C. Lopes