Em mais um “Café Com Cheirinho”, o Nuno C. Lopes aponta baterias a dois discos nacionais que, apesar de seguirem caminhos distintos, acabam por simbolizar de forma clara e inequívoca que a música portuguesa continua viva, relevante e recomendável.

Lançado em Dezembro de 2025, “Love Is Never Enough” apresenta Tsunamiz disposto a quebrar barreiras de tempo e de som. Nascido na Margem Sul do Tejo e moldado por um espírito autodidacta, Bruno Sobral leva o conceito do disco para um outro patamar, construindo temas suburbanos feitos, produzidos e pensados sob uma estética moderna que, ao mesmo tempo, não esconde referências e linguagens de outras décadas. É precisamente nessa convivência entre passado e presente que o álbum encontra a sua força: electrónica, synthpop e Post-Punk cruzam-se naturalmente num trabalho actual, coeso e cheio de coordenadas certeiras.
Também os Santa Clara Blues regressam finalmente aos discos. Quando a vida se atravessou no caminho da banda, os músicos decidiram dar tempo ao tempo, adiando “Hearts and Souls” (Raging Planet). Ainda assim, essa pausa acabou por beneficiar o resultado final, permitindo amadurecer e aprofundar um disco onde Bluegrass, Folk e Blues convivem de forma quente, orgânica e emocional. Simples na abordagem, mas intenso no impacto, o álbum ganha ainda nova profundidade com a entrada de Rui Pereira para a bateria e Rui Guerra nas teclas, dois músicos que ajudaram a expandir o universo sonoro dos SCB. Feitas as contas, “Hearts and Souls” transforma-se num retrato da vida, da condição Humana e de uma sociedade capaz de muito mais do que aquilo que tem mostrado. Porque a vida será sempre feita de altos e baixos, mas juntos continuaremos mais fortes — e os Santa Clara Blues fazem questão de o recordar.