CAFÉ COM CHEIRINHO (Texto: Nuno C. Lopes)

 


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Dois discos de duas bandas com sonoridades distintas, que se cruzam numa miríade de alegorias sobre um novo normal. De um lado o regresso, há muito aguardado, dos Waste Disposal Machine, do outro o segundo álbum dos Ruído Roído. Apreciem um (bom) Café Com Cheirinho. Texto: Nuno C. Lopes


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"Chimæra” é o regresso dos Waste Disposal Machine, dez anos depois de "Debris". Pode parecer um parto difícil, mesmo sabendo que um terceiro disco é, dizem alguns, o mais complicado de fazer, contudo, este afastamento parece ter sido essencial para que a banda maturasse a sua sonoridade entre as muitas sonoridades que os WDM possuem. Isolamento, (falta de) empatia ou manipulação são os tópicos que nos são servidos em doses generosas de Industrial, Metal e até algum Pop. Ecletismo não falta por aqui, e nem se estranha as presenças de Birds Are Indie, Rute Fevereiro (Enchatya, Black Widows) ou Bill Rivers. “Chimæra” é um disco actual, com tudo o que as sociedades nos oferecem (de mal). O álbum é um lançamento conjunto entre a Raging Planet e a Chaosphere Records e foi lançado a 10 Maio.



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No mesmo sentido ideológico e perante o caos social, "Êxtase do Silêncio" é o novo álbum dos Ruído Roído. Basta uma palavra para deixar de existir silêncio, e entre muitas que falta nas sociedades actuais, o silêncio é, talvez, a que mais falta faz, até mesmo perante toda a gritaria voraz que vamos escutando no silêncio da gritaria. Lançado pela Raging Planet, "Êxtase do Silêncio" traz uma banda que evoluiu no seu conceito, fazendo um conjunto de temas mais equilibrados. Onde "Dor" (2023) era caos e dissonância, este novo álbum é diluente, audaz, sem perder densidade e intensidade. Num mundo cada mais barulhento, cada vez mais focado na efemeridade, centrado no caos e numa fantasia que se crê ser real, estes 8 temas permitem a fuga, o escape e, claro, entender, sem o fazer, o silêncio. Essa coisa rara.



 


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