CAFÉ COM CHERINHO - "Coverbilly Psychosis - A Tribute to Tédio Boys"

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COVERBILLY PSYCHOSIS
“A Tribute to Tédio Boys
Lux Records


Nos finais dos anos 80, ali mesmo a entrar nos 90s, o quinteto Tédio Boys foi o epicentro de um terramoto Rock'n'Roll, ali para os lados de Coimbra. Apesar de, mediaticamente, não terem o sucesso que, diga-se, merecem, o que é certo é que a banda de Paulo Furtado, Sérgio Cardoso, Toni Fortuna Victor Torpedo e André Ribeiro, conseguiu transformar-se em objecto de culto, tal como a sua relação com a Lux Records que, lança, agora este tributo, mais do que justo a uma das primeiras (senão mesmo a primeira!) a penetrar no território americano.
Ao pegar nesta rodela uma onda de nostalgia invade a memória e, por qualquer motivo, lembro-me de Dead Kennedys e da colectânea “Virus 100” da Alternative Tentacles, álbum que me deu a conhecer bandas como Napalm Death, L7, NoMeansNo ou Neurosis que, de forma natural recrearam os temas da banda de Jello Biafra. Essa nostalgia aumenta quando se carrega no play e se percebe que, afinal, a música dos “rapazes do tédio” não era (é) estanque, sendo certo que o quinteto, ao longo da sua carreira, incorporou diversos elementos, oriundos de muitos outros lugares e estímulos, sendo que o Punk dos The Clash e o Blues Norte-Americano, eram pedras basilares de uma sonoridade irrequieta, juvenil e com as, naturais “dores de crescimento” num Portugal que, tal como hoje, apresenta poucos rumos.
Ao longo de, pouco mais, de uma hora a discografia dos Tédio Boys é percorrida e é nesse tempo que se percebe que as réplicas se continuam a fazer e os tentáculos percorrem diversas sonoridades, umas mais dançáveis que outras, mas feitas sem “ofender” o legado da banda de Coimbra, até porque alguns dos rapazes fazem parte deste tributo, incluindo a versão de “No Liquor”, pelos D3O de Toni Fortuna, mas onde há, também Vitor Torpedo e Carlos Mendes (Kaló), o que não quer dizer que tudo seja uma repetição do passao, aqui reinventa-se, seja pela voz de Raquel Ralha. Dirty Coal Train ou Dr. Frankenstein.
O que fica é uma homenagem sincera e, ao mesmo tempo, visceral do que foram os Tédio Boys e, pouco depois dos 30 anos da sua formação, fica bem patente que o seu lugar e legado estão na história da música nacional, bastando olhar para todo o Rock gerado pelos Tédio Boys e tudo o que se seguiu ao seu fim: D30, Wraygunn, Bunnyranch, Parkinsons, Legendary Tiger Man, Twist Connection, Tiguana Bibles, Ghost Hunt, M'as Foice…. E a lista continua.


Texto: Nuno C. Lopes


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