CARNATION - "O tempo é demasiado curto e tens de aproveitar todas as oportunidades ao máximo!"

Cursed Mortality” é o título do mais recente álbum dos belgas Carnation e que marca uma nova fase da banda de Antuérpia. Este foi o ponto de partida para a conversa com Simon Duson, vocalista da banda. O disco já se encontra disponível e tem selo Season of Mist. Entrevista: Nuno C. Lopes


 


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HellHeaven: Olá Simon, muito obrigado por teres aceite o convite para esta conversa! Passaram já 10 anos desde a formação dos Carnation, como se sentem com esta conquista?


Simon: Sabe muito bem e é um acontecimento muito fixe! Temos grandes memórias destes 10 anos e fizemos muitas tours porreiras e tocámos em grandes festivais! Ao mesmo tempo lançámos dois grandes álbuns , na minha opinião, e lançámos EPSs e singles interessantes. Por isso podemos dizer que foram 10 anos cheios de diversão e isso é um grande apoio, a diversão! (risos)


 


HellHeaven: Os Carnation foram abraçados por público e media, praticamente desde o inicio. Foi algo que vos apanhou de surpresa? Como olham para o percuro e para o caminho percorrido nesta primeira década?


Simon: No inicio os Carnation eram um projecto paralelo para nós os cinco! Naquela altura tínhamos outras bandas e não havia interesse em fazer outro projecto “a sério”, estávamos interessados em Death Metal e tínhamos interesse em lançar algo dentro do género e decidimos gravar um EP e, depois de lançarmos o “Cemitery of Insanity” (2015) ficámos bastante surpreendidos com a forma como foi recebido! Ganhámos muitos fans na Bélgica e nos Países Baixos, por isso acho que correu muito bem e de forma muito rápida, o que acabou por ser uma surpresa, porque as nossas bandas estavam bem, mas não tão bem como os Carnation (risos), e isso mostrou, claramente, que esta banda não era um projecto paralelo e que podia ser algo mais!


 


HellHeaven: Esse algo mais remete-me para o “Cursed Mortality”, que parece ser a porta de entrada para uma nova fase na vossa carreira, com um novo logo e uma abordagem mais, talvez, directa. Sentiam que precisam desta mudança?


Simon: Não sei dizer se era algo que precisávamos, mas a mudança de símbolo foi algo que surgiu devido à abordagem dos novos temas. Quando estávamos a escrever o álbum sentimos que estávamos a incorporar novos elementos e novos sons, como por exemplo as guitarras e vozes limpas aliadas a um som mais Progressivo! Continuamos a ser uma banda de Death Metal mas com algumas diferenças em relação ao que fizemos no passado. Queríamos manter o logo dentro do Death Metal mas que ao mesmo tempo permitisse abrir a porta a outros elementos. Foi isso que acabou por acontecer durante todo o processo e que levou à mudança, por coincidência acabou por surgir ao fim de dez anos, mas não foi nada planeado ou pensado!


 


HellHeaven: O “Cursed Mortality” surge após os anos terríveis do Covid e que o Mundo ainda está a tentar recuperar. De alguma forma tudo isso acabou por influenciar o que escutamos no disco?


Simon: Diria que acabou por influenciar, sim! Há muitas emoções que fomos buscar aos últimos dois anos! Muita coisa no álbum fala sobre o facto de termos a perceção que o tempo é limitado e que todos estamos a ficar velhos e a forma como o teu corpo vai ficando mais fraco e começas a refletir sobre tudo o que aconteceu! Estou a falar de momentos tristes ou alegres e de tudo o que se experimentou em novo e no crescimento. Por isso a pandemia acabou por ter essa influência porque nos retirou a possibilidade de actuar, ou sequer tocar, e sentimos muito a falta disso e é algo que é importante para nós enquanto músicos. Talvez por isso exista aquele sentimento de gratidão por sermos capazes de voltar ao activo a 100%, e estamos muito felizes por isso e por voltar a poder fazer o que gostamos. O tempo é demasiado curto e tens de aproveitar todas as oportunidades ao máximo! Esta é, mais ou menos, a ideia do álbum!


 


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HellHeaven: Existe aquele mito em relação ao terceiro álbum, quais são as vossas expectativas em relação ao disco e como olhas para o resultado final, tendo em contas as alterações na banda que já falámos?


Simon: O terceiro álbum é considerado o mais importante, é aquele álbum em que tens de fazer “O” álbum, por isso tentámos fazer um bom disco, mas esse é sempre o objectivo principal (risos!), mas quando começas a escrever queres que tenha algum impacto! Fazer o “Cursed Mortality” não foi fácil, pelo contrário, porque tentámos desafiar a banda e tentar coisas novas que nunca tínhamos tentado, como as guitarras ou as vozes limpas, mas era algo que queríamos fazer para extrair o máximo destas canções e, no final, estamos muito contentes com o resultado final. Por outro lado, temos de esperar para ver a resposta do público aos novos temas. As pessoas estão habituadas a ouvir os Carnation como uma banda extrema e agora há estas mudanças, portanto há um contraste e algo para ser comparado. Foi um processo desafiante e doloroso, estou ansioso por ver as reações! (risos)


 


HellHeaven: Uma das maiores surpresas do álbum é a presença do Andy LaRocque que, sendo um grande guitarrista e músico, está distante da vossa sonoridade. Como é que o convenceram e como foi trabalhar com ele?


Simon: É fantástico ter alguém como o Andy na nossa música! O nosso guitarrista Jonathan Verstrepen, que também é um dos responsáveis pela escrita do álbum é um grande fan de King Diamond e Mercyful Fate e é um amante desse estilo, sendo um grande colecionador. Ele queria muito que o Andy partilhasse um solo com ele e, não sei como, ele conseguiu contactar o Andy e falaram sobre a colaboração e ele aceitou! Foi isto! Talvez tenha sido um pouco de sorte, não sei! (risos)


 


HellHeaven: Tiveram a oportunidade de estar em estúdio com ele ou foi uma coisa feita à distância?


Simon:Foi tudo de forma digital! Não foi possível estar com ele mas, quem sabe se no futuro não vamos ter com ele um dia e ter a oportunidade de falar pessoalmente! (risos)


 


HellHeaven: Falavas à pouco das consequências do Covid e, uma delas, foi o facto de não poderem tocar ao vivo, o que actualmente já é novamente possível. Já existem planos?


Simon: Estamos a tentar dar o máximo de concertos possível! Estamos a tocar em muitos festivais e alguns concertos mais distorcidos! (risos)Estamos a olhar para todas as oportunidades e a perceber se conseguimos fazer com que aconteça! Quanto a digressões, talvez possa acontecer alguma coisa agora com o álbum mas estamos ainda a perceber. Andar em tour é um desafio, muito mais que no pré-Covid, até porque os custos subiram em flecha, por isso tem de ser tudo equilibrado e é isso que estamos a tentar fazer com o “Cursed Mortality”.


 


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HellHeaven: Vocês têm uma excelente relação com a Season of Mist que acreditou em vocês desde o inicio. Como é essa relação quase familiar com eles?


Simon: É uma relação fantástica! Eles são muito prestáveis e já crescemos imenso desde que estamos com eles. Eles ajudaram bastante no nosso crescimento e a atingir audiências maiores, que era algo que sozinhos não iríamos conseguir. Temos muita confiança neles!


 


HellHeaven: Agora que estão a entrar numa nova fase e uma nova décadal, o que podemos esperar dos Carnation?


Simon: Ainda não começámos sequer a pensar no que fazer num próximo disco, ainda é demasiado cedo! Acho que no futuro vamos continuar a tentar seguir o caminho que iniciámos com este álbuns, tentando sempre fazer algo que soe interessante e “fresco”! Vamos continuar a tentar tocar ao vivo sempre porque essa é a mlehor forma de promover a música e a banda. Esperamos fazer muitos festivais, por isso, para já esse será o plano para 2024 e, quem sabe, mais um ano ou dois! (risos)


 


HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para Portugal…


Simon: Espero que um dia possamos ir aí, começo por dizer isto! (risos) Nunca aí fomos e gostávamos muito de o fazer, pelo que ouvi dizer a vossa cena Metal é muito boa! Talvez para o ano possamos conhecer os nossos fans portugueses! Também estou curioso para saber o que vocês acham do álbum, por isso falem connosco, enviem mensagens!

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