“Electric Sounds” é o título do novo álbum dos canadianos DANKO JONES e foi o mote para a conversa com o líder da banda. Numa conversa que abordou a actualidade musical e cultural, mas onde houve tempo para recordar. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Os Danko Jones estão de regresso, como a própria faixa de abertura de «Electric Sounds» nos diz, como se sente relativamente a este regresso e, sentiu alguma dificuldade em fazer o álbum, especialmente devido a estes tempos em que vivemos?
Danko Jones: Claro que estamos de regresso e estamos muito entusiasmados com o «Electronic Sounds». Os nossos corações dizem-nos para fazer estes álbuns e não foi nada complicado, apenas o escrevemos e enviámos ficheiros uns para os outros! O complicado foi o álbum anterior que foi feito durante a pandemia!
HellHeaven: Ainda assim, estando os membros da banda a viver distantes uns dos outros, existiu alguma diferença ou alteração na forma de trabalhar?
Danko Jones: Não, nem por isso! Houve um pouco aquele sentimento de se conseguiríamos fazer isto e se conseguíamos trabalhar assim e encontrar soluções, mas assim que se fez as misturas percebemos que era possível!
HellHeaven: Já passaram 25 anos desde que a banda se formou, como é que olha para o seu percurso e para o crescimento enquanto músico e banda?
Danko Jones: É complicado conseguir descrever o trajecto quando estou no meio dele e está ainda a acontecer! É um pouco como olhar para a floresta a partir das árvores. Apenas nos limitamos a fazer as coisas e deixamos as leituras objectivas para quem as quiser fazer! Eu apenas faço o meu trabalho!
HellHeaven: Passaram duas décadas desde que o «We Sweat Blood» saiu e, de certa forma, esse foi o álbum que mudou a carreira da banda. O que se recorda desses tempos?
Danko Jones: Lembro-me que esse álbum foi gravado em Toronto e a mistura foi feita em Estocolmo, foi um dos melhores momentos da minha vida e adoro essas memórias que tenho!
HellHeaven: Quais são as expectativas em relação a «Electronic Sounds»?
Danko Jones: As expectativas são as mesmas de sempre em qualquer banda e em cada um dos nossos álbuns! Queremos discos de ouro e platina e vender 10 milhões de álbuns e andar em digressão pelo Mundo! (risos) Essas são as minhas expectativas e o que quero! É por isso que lanço álbuns e continuo a tentar e a tentar!
HellHeaven: Os Danko Jones mantém a sagrada trilogia do “Sexo, Drogas e Rock'n'Roll» que é uma coisa positiva mas, com todo este turbilhão social existe algum receio de que possa ser cancelado?
Danko Jones: Porque deveria ter medo de ser cancelado?! O Mundo está demasiado sensivel mas, é preciso ter em conta que as pessoas que estão a ser canceladas fizeram alguma coisa que mereça estar a ser investigado! Se estivermos a falar de forma generalizada e não o devemos fazer, percebemos que algumas pessoas que estão a ser canceladas são terríveis e fizeram coisas terríveis e, por vezes, as pessoas estão certas, mas não vejo que isso possa acontecer connosco e não me vejo que os Danko Jones possam ser acusados ou cancelados!

Danko Jones: Os Danko Jones são um trio e, porventura, alguns dos resistentes dos famosos power trios, que é algo que já não é muito usual, como olha para o Rock'n'Roll actual?
Danko Jones: O que queres dizer com isso? Já não é usual? Existem muitas bandas que têm esta fórmula, talvez não sejam tão conhecidas como os ZZ Top, Motörhead ou Triumph, mas esses são os tipos old school. Na actualidade não posso falar muito e nem me interessa mas, por xemplo, há uma banda inglesa, que são os Admiral Sir Cloudsley Shovell que são um trio e andaram connosco e são fantásticos, são a minha banda favorita na actualidade e que estão agora na Rise Above, que é a editora do Lee Dorrian (ex-Cathedral, ex-Napalm Death) fora do Reino Unido!
HellHeaven: Voltando ao «Eletric Sound» há aqui alguns convidados de peso, no entanto que me chamou mais a atenção foi a presença do Tyler Stewart, dos Barenaked Ladies. Como é que ele surge no álbum?
Danko Jones: O Tyler é um amigo e é amigo do Eric, o nosso produtor e que já produziu um álbum dos Barenaked Ladies! Nós pensámos no Tyler, e é por isso que ele aparece, para o “She´s My Baby”, porque sentimos que fazia sentido um sotaque britânico e ele é muito bom com esse tipo de matéria, por isso é que ele aterra no álbum! (risos) Apesar disso, já nos conhecemos há vinte anos, por aí!
HellHeaven: Vocês são uma banda que precisa do palco e quase que é o vosso habitat natural. Quais os planos para apresentar “Electric Sounds”?
Danko Jones: Bom, as datas já foram apresentadas, a digressão começa em meados de Novembro e vai estender-se até meio de Dezembro! Vai ser uma digressão bem intensa sem, praticamente, dias de descanso e vamos andar pela Europa, apenas temos algumas datas no Canadá, mas apenas isso!
HellHeaven: Já pensou no que vai apresentar ao vivo? Ao fim de 25 anos o que podemos esperar desta digressão?
Danko Jones: Tentámos fazer, em 2006/2007, um set na onda de best of, foi fixe mas nós não somos uma dessas bandas! Fazer um set com o que seja um best of não nos faz muito sentido. Nunca tivemos um disco de ouro ou platina que nos faça merecer um greatest hits, não somos esse tipo de banda. O que queremos é fazer temas e álbuns consistentes!
HellHeaven: Existe uma relaçao muito próxima entre Danko Jones e Portugal, sendo que a primeira vez, salvo erro, foi no Festival Paredes de Coura. Lembras-se de alguma coisa desse tempo?
Danko Jones: Lembro-me bem, foi aí que conheci o Michael Dorrian, tocámos nesse dia! Adoro Portugal e não só por causa dos concertos, é um país fantástico para se visitar e toda a gente nos trata tão bem! O único problema é que não existem tantas salas para poder dar concertos e é algo que poderiam mudar!
HellHeaven: Desde o inicio que a banda não alterou muito o seu estilo, ao contrário de muitas que o fazem e depois a coisa não corre bem. Foi algo que já lhe passou pela cabeça ou é um risco que não terá receio de assumir?
Danko Jones: Nós andamos numa corda bamba! Seguimos a escola dos Ramones, Motörhead, AC/DC ou Slayer, onde criamos um som e ficamos agarrados a ele! No entanto, se escutares os álbuns e a música podes pensar dessa forma, mas, se olhares com atenção e se ouvires mais vezes, percebes que vamos incorporando algumas mudanças a cada álbum! Tentamos sempre fazer algo diferente mas se ouvires as coisas de longe, vais dizer que parece ser a mesma coisa, o que por mim não cria qualquer problema! Mesmo o que fazemos diferente fazemos para agradar a nós primeiro!
HellHeaven: Neste tempos em que a tecnologia permite que as produções sejam mais limpas e tudo esteja no “ponto”, o vosso som parece sempre levar-nos para uma estética Punk e, quase, DIY. É assim que a banda deve soar?
Danko Jones: Nós temos uma grande influência do Punk, todos ouvimos e crescemos a ouvir Punk Rock, por isso é natural que isso depois se ouça na nossa música.
HellHeaven: Qual a mensagem que deixa para Portugal…
Danko Jones: Queremos muito voltar a Portugal! Lembrar que o “Electric Sounds” saiu no dia 15 Setembro! Quero agradecer e desejar o melhor a todos!

DANKO JONES (CAN)
“Electric Sounds” (Album Review: Nuno C. Lopes)
AFM Records
https://www.facebook.com/afmrecords
Formados em 1996 os canadianos Danko Jones são, por estes dias, o bastião da célebre trilogia “sexo, drogas & Rock'n'Roll”, mas não só! O trio, que fica concluído por John Calabrese e Rich Knox é, também, umas das mais enérgicas actualidade e, no mais recente álbum, fica bem patente essa mesma energia que, possivelmente, provém do amor ao Punk Rock mas, também, da convicção de um caminho que se faz percorrendo com o pé no acelerador. “Electric Sounds” é isso mesmo, um disco repleto de energia e atitude como já é apanágio de Danko e companhia, começando desde logo com “Guest Who's Back”, autêntico manifesto mas que, segue sempre no máximo e temas como “Stiff Competion” ou “Good Time” são outros temas em que o trio consegue transpor para a música toda a sua qualidade. Pelo meio há, ainda, a participação de Tyler Stweart (Barenaked Ladies) ou Damian Abraham (Fucked) em “She's My Baby” e “Get High?”, respectivamente que, de certa forma “refrescam” o álbum. Os Danko Jones não precisam de inventar para fazer bons discos Rock e este é mais um exemplo. Em 11 temas a banda não traz nada de novo e isso é o suficiente para que “Electric Sound” seja mais um excelente álbum destetrio! O Rock está vivo!