DECEASED - "queríamos ser mais rápidos que os Slayer, mais estranhos que os Voïvod e mais pesados que Black Sabbath" (Entrevista"

Com quatro décadas de carreira os DECEASED estão de regresso com “Children of the Morgue” que traz os norte-americanos iguais a si próprios, e isso chega bem para se saber que é bom! A propósito do lançamento a HELLHEAVEN esteve à conversa com King Fowley, fundador e líder da banda. Entrevista: Nuno C. Lopes


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HellHeaven: Começo por te dar os parabéns por “Children of the Morgue”! O que pensas sobre o disco agora que está nas lojas?
King Fowley: Obrigado pelas palavras e por me convidares para esta conversa! Estou muito orgulhoso do “Children of the Morgue”, desde a composição à gravação, passando pela produção e pela mistura… toda a gente fez um trabalho tremendo! Sempre demos o máximo em cada lançamento mas acho que, desta vez, demos um pouco mais! 


HellHeaven: Oficialmente os Deceased começaram em 1985, contudo o inicio remonta a 1984 como Mad Butcher. O que te lembras desses dias e como olhas para o percurso da banda?
King Fowley: Éramos jovens e só queríamos tocar rápido, volume no máximo e ser loucos, queríamos ser mais rápidos que os Slayer, mais estranhos que os Voïvod e mais pesados que Black Sabbath! (risos) Os primeiros anos estão cheios de energia adolescente, que é algo que mantivemos, aquele fogo dentro de nós selvagem e genuíno. 


HellHeaven: Muita coisa mudou na industria e no Metal, como é que olhas para o Metal actualmente? Existe alguma coisa que sintas falta dos anos 80 e 90?
King Fowley: Existe muita coisa criada na Internet e as pessoas procuram as bandas no Google e aprendem sobre o passado, é muito fácil transformares-te num metalhead do dia para noite! Antigamente tinhas de ter tempo para escrever cartas e esperar pelas respostas, procurar os discos nas lojas e isso construia carácter e criava paixão, agora, para alguns, parece ser um momento no tempo e depois seguem a sua vida! Os verdadeiros metalheads vão sempre andar aí independentemente do ano mas, claro, existirão os que vivem a música e outros que olham apenas como um hobby!


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HellHeaven: O “Children of the Morgue” foi lançado em vários formatos, onde se inclui a cassete. Como olhas para este interesse renovado num formato que, para muitos, estava morto e enterrado?
King Fowley: As pessoas podem ouvir música no formato que quiserem! Quando era miúdo descobri muita coisa nas cassetes de 8 pistas, como era um formato obsoleto permitia-me comprar coisas de bandas que desconhecia: UFO, Jethro Tull, Thin Lizzy, e outras por 88cêntimos! As cassetes é um formato muito fácil de “trabalhar”, basta meteres no teu bolso e teres onde ouvir! Fico feliz por ver este interesse por esse formato! 


HellHeaven: Uma das maiores mudanças foi a Internet, que criou esses hábitos de consumo que referiste mas não só, também ao nível da promoção, o que truxe novos desafios aos artistas. Qual a tua opinião sobre o assunto e de que forma pode ajudar (ou não) a industria?
King Fowley: É verdade, se eu posso ouvir musica carregando num botão, os outros também podem, agora a forma como usam e abusam já é algo que está nas mãos de cada um! Para mim é uma grande ajuda! Por exemplo, esta entrevista é muito mais rápida porque não temos de estar à espera que a carta chegue ou pagar selos, os e-mails são como um telefonema detalhado, podes ter tudo escrito e não te esqueces de nada! Pode não ser tão pessoal mas é um grande auxiliar! 


HellHeaven: Regressando ao álbum, quem são as “Children of the Morgue” e onde encontraram o conceito para estes temas? Existe alguma ligação um um fio condutar nos temas?
King Fowley: Todos somos crianças da morgue, somos todas as crianças do Mundo, nascidos para morrer, é um conceito de morte, de ver a pessoa morrer e ter de seguir a vida, para onde vamos quando morremos? Somos desligados? Existe um além? Todas as questões que não podem ser respondidas, esse é um grande, e obscuro, tópico e este álbum segue nas artérias disso mesmo! 


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HellHeaven: Estamos numa fase em que os discos são produzidos e limados até “ao osso”, contudo o “Children of the Morgue” vai no sentido oposto. Em algum momento sentiram a tentação de ter uma produção “moderna” ou, por outro lado, este é o som certo para os Deceased?
King Fowley: Para mim tem de existir um meio termo! Não pode ser demasiado raw nem demasiado clean! Consegues ouvir todos os instrumentos e existe uma vibração poderosa que todos gostamos, por isso estamos muito satisfeitos com o resultado e com o som que apresentamos! 


Hellheaven: Enquanto ouvia o álbum pensava: “esta malta pode ser Death, Thrash ou apenas Heavy Metal!”. Dito isto, qual será a melhor definição para os Deceased?
King Fowley: Death Metal das catacumbas! (risos) O que aos pessoas pensam que é Death Metal é com elas! (risos) Será que tem de ser exclusivamente aquelas coisas downtempo e grunhidos? Quando cresci os Cirith Ungol eram Death Metal, tal como os Mercyful Fate ou Blessed Death, entre outros...nós tocamos Metal e os nossos tópicos são sobre a Morte, não temos preocupações em ter alguma melodia em vez de partes mais noise, apenas fazemos a nossa cena!


HellHeaven: Se alguém em 1984 te dissesse que os Deceased ainda estariam por cá ao fim de 40 anos qual seria a tua reação? Qual o desafio que colocam a vocês mesmos ao fim de todos estes anos?
King Fowley: Sempre soube que seria assim! A musica é a minha vida e a minha paixão! Continuo a adorar escrever novas canções e a tocar! Gosto tanto agora como gostava quando tinha 15 anos! (risos)



HellHeaven: O disco já foi lançado e, ao fim destes anos ainda sentes algum nervosismo ou ansiedade sempre que lanças um álbum? Quais são as expectativas?
King Fowley: Nem por isso! (risos) Estou satisfeito que tenha saído como desejávamos e, falando por mim, estou muito satisfeito com o que fizemos e com as minhas partes, no fim tudo se resume na banda estar satisfeita com o que fez, se alguém gostar é como um bónus! (risos)


HellHeaven: O que vos falta conquistar? Há alguma coisa que gostassem de fazer? Qual a mensagem que deixas para Portugal?
King Fowley: Concertos por todo o Mundo e ir a locais onde nunca fomos! Mais discos e temas e melhorar na nossa arte e nunca “vender” a nossa arte por nada! Temos de ir a Portugal e levar o nosso Death Metal da campa até aos palcos! Um forte abraço a todos os nossos fans e a quem ler a entrevista! Mantenham-se selvagens e Metal! 


 

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