EL REI D. ABBATH A DESTRUIR LISBOA...MAS COM AJUDAS

2024-01-14-10-26-12-965.jpgFoi uma noite "complicada" aquela que se viveu no regresso de Abbath ao nosso país, a primeira como cabeça de cartaz, depois de uma passagem por Vagos e outra enquanto suporte para Watain. 



Perante um RCA onde, dificilmente, caberia uma mosca, foram as bandas de abertura aquelas que mais se destacaram, até porque, desde o inicio da actuação dos escoses Hellripper, se percebeu que a fasquia estava elevada para esta data da Dread Reaver Tour. O quarteto incendiou o público com um Thrash revivalista e intenso e provocou as primeiras (de muitas) movimentações. Stage dive, mosh, circle pit...enfim, tudo aquilo que um concerto de Metal deve ter. 



O que é certo é que, mal sabíamos nós, este era apenas o começo e tudo iria "piorar". Os norte-americanos Toxik Holocaust aproveitaram o embalo e souberam agarrar o público e as movimentações que foram criando, cada vez mais, dificuldades a quem se encontrava nas filas da frente, levando mesmo à intervenção da segurança para evitar stage dive e, a mais que certa, danificaçãuo do material de Abbath. Por esta altura os presentes não eram mais que um amontoado de "carne para canhão".



É então que chega Abbath, tal como um abutre que chega para apanhar os pedaços de carne morta e petrificada, pronta para a degustação de uma figura que, além de icónica, é a prova de um artista, o Senhor Olve Eikemo, que após a saída dos Immortal, demorou a sarar feridas e que (quase) levou à destruição da carreira, mas o facto é que, tal como a Fénix renasce das cinzas, Abbath renasceu e volta a estar em grande forma, ainda que o imenso fumo apenas permitisse vislumbrar as sombras do vocalista e guitarrista. Abbath aprendeu a aceitar-se a ele próprio, com todos os defeitos e virtudes e isso, por si só, é uma garantia de qualidade. 


Numa actuação onde alterou temas dos Immortal como "


The Rise of Darkness", "In My Kingdom Cold" ou "One by One" com temas do seu espólio pós-Immortal, com "Dread Reaver" à cabeça mas onde não faltaram "Hecate", "Acid Haze" (a abrir), "Ashes of the Damned", "Winterbane" ou "Endless" (a fechar), existindo, pelo meio, a recuperação para os I com o tema "Warriors"

Abbath, o homem e a banda, estão bem e recomendam-se. Mesmo quando a fasquia foi elevada pelas bandas de abertura, Olve encarnou o melhor de si, munido por um som grandioso e pela sua guitarra (ninguém tem aquele som), o músico e a sua banda tiveram de se esforçar para ser o cabeça de cartaz e suplantar a devastação dos Hellripper e Toxik Holocaust mas, no final Abbath foi herói e vilão na noite fria de Lisboa e, ainda que sem o vermos muito bem, podemos dizer que El Rei D. Abbath está aí para ficar. 



Texto e Fotos: Nuno C. Lopes

0