“Unhealthy Mechanisms” é o segundo álbum para os Go Ahead and Die, a banda que junta Amadeus Mozart e Max Cavalera, filho e pai, respetivamente, ao baterista Johnny Valles. A HellHeaven esteve à conversa com Amadeus Mozart tendo este álbum como ponto de partida. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Obrigado pelo teu tempo para esta entrevista, numa altura em que o “Unhealthy Mechanisms”, quas são as expectativas em relação a este álbum?
Amadeus Cavalera: Estamos muito satisfeitos com o disco, estou mesmo preso a ele e pela forma como ficou a produção, acho que é um grande passo para a banda. Conseguimos fazer grandes malhas e demos tudo neste álbum! Acho que as pessoas vão gostar, até porque os singles foram muito bem recebidos, por isso a minha expectativa é que as pessoas comprem o álbum e gostem dele. Essa é a minha esperança! (risos)
HellHeaven: O vosso primeiro disco foi muito bem recebido, sentes que as reações que tiveram estão relacionadas por o teu pai (Max Cavalera) estar na banda e por tudo o que ele representa para o Metal? De que forma este disco é um passo seguinte para a banda?
Amadeus Cavalera: Claro que ter o meu pai na banda isso traz mais atenção, o que acontece com qualquer projecto onde ele esteja, acaba sempre por haver muita especulação e muito interesse das pessoas, mas os GAAD são diferentes de tudo o que ele já fez, por isso acho que está num outro patamar. Acho que no primeiro disco as pessoas foram surpreendidas pela sonoridade e deu-nos a força para avançar para o segundo álbum que surgiu com algumas ideias do anterior, mas escrevi muito mais neste álbum, diria que cerca de 75%, o que nos traz uma outra identidade ainda que o Max, o meu pai, esteja na banda. As pessoas vão adorar ou detestar. É tudo uma questão de intensidade do inicio ao fim, tudo muito rápido e intenso! Acho que o primeiro disco estava bom, mas este está uns furos acima!
HellHeaven: Dizias que o álbum é muito poderoso e, digo eu, dispara em todas as direções e falas de muitos assuntos sobre as sociedades actuais, as doenças mentais, entre outras coisas. Onde encontras a inspiração para os temas e, falando de um em concreto, “Desert Carnage”?
Amadeus Cavalera: Gosto que os meus álbuns falem de coisas! O primeiro álbum sai em 2020: ano de eleições, Covid, o ano em que se falou do George Floyd, todas e essas coisas, e esse álbum acabou por ser muito político. O “Unhealthy...” é um disco mais cerebral em tudo, desde a depressão à ansiedade ou emdo e tudo o que está pelo meio. Era algo que queria muito escrever, sobre coisas que vivi e coisas que li e vi. Acho que as doenças mentais devem ser faladas e partilhadas e mostrar às pessoas que elas não são as únicas a sentirem-se dessa forma. A “Desert Carnage” fala sobre o que está mal no Arizona, de onde sou, nasci e fui criado em Phoenix no meio do Deserto de Sonora e, sabes, além de ser um local único para a vista e muito cénico é um local assustador, é para onde se vai e ninguém sabe o que se passa e não há as leis que estamos habituados, passa-se lá de tudo, de assassinatos a tráfico de droga e não há polícia, não há nada. Esse tema fala sobre uma história que li em que encontraram corpos em carros ao fim de meses de desaparecimentos. Toda a gente sabe que ali pode fazer o que quiser e isso é um pouco assustador.

HellHeaven: Estava a falar e dei comigo a pensar nos problemas actuais da sociedade, qual será a solução para acabar com esta divisão e será isto um exemplo do nosso falhanço enquanto sociedade?
Amadeus Cavalera: Tenho pensado mito sobre isso e acho que todos nós somos fruto do nosso ambiente! As pessoas estão zangadas da mesma forma que estão deprimidas, é assim que o mundo está e não sei se quero falar sobre soluções! (risos) Acho que as pessoas deveriam mostrar mais amor e fazer de todos os locais felizes. Acho que os governos falharam em toda a linha, desde a habitação ao combate às drogas e o que se vê é a situação a piorar a cada ano, por isso nem sei bem o que te diga, mas percebo o raciocínio! (risos)
HellHeaven: Voltando ao disco e aos planos para tour, podes desvendar alguma coisa ou ainda está tudo no segredo?
Amadeus Cavalera: Neste momento andamos na estrada com Cavalera e temos de ser pacientes, queremos fazer as coisas projecto a projecto! Agora estamos a fazer isto e pensamos que mais perto do final do ano ou inicio de 2024 poderemos fazer planos para os Go Ahead and Die, está nos planos uma tour pelos EUA, para começar e depois estamos a pensar ir à Europa e talvez América do Sul e, porque não uma rota global! (risos) Nunca o fizemos e é algo que julgo ser importante para a banda, mais pormenores só talvez para o próximo Verão. Estamos muito entusiasmados mas também temos que ser pacientes! (risos)
HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para Portugal…
Amadeus Cavalera: Foi em Portugal que tive os meus concertos mais intensos e enérgicos, com toda a gente a cantar e acompanhar! Só tenho respeito pelos nossos fans portugueses, ainda que o meu português seja mau olho para vocês como parte da minha cultura e aprendo muito com o meu pai e com a minha família! Estejam atentos aos Go Ahead and Die e saibam que queremos muito ir aí tocar para vocês e receber esse amor português!