O ano, terminado há poucas horas, fica para trás como um ano particularmente pesado para a música. Foram vários os nomes incontornáveis — do metal extremo ao rock clássico, da pop de culto ao nu-metal — que desapareceram, deixando catálogos fundamentais, cenas inteiras moldadas pela sua visão e um legado que continuará a influenciar gerações futuras. Recordamos alguns dos músicos que partiram em 2025. Texto: Nuno C. Lopes


Jürgen Bartsch (Bethlehem)
Fundador dos Bethlehem em 1991, Jürgen Bartsch (outubro de 1962) foi uma das figuras mais discretas, mas também mais influentes do metal extremo europeu. Com uma discografia extensa — cerca de uma dezena de álbuns e vários EPs — ajudou a redefinir os limites entre doom, black e dark metal. Para lá dos Bethlehem, participou em gravações de Cattle Decapitation, Benighted in Sodom e Death Fetishist. Faleceu em agosto, após doença prolongada.

Ozzy Osbourne (Black Sabbath / Ozzy Osbourne)
Nascido John Michael Osbourne, em dezembro de 1948, Ozzy é sinónimo de heavy metal. Voz fundadora dos Black Sabbath, foi peça-chave na criação de um género que mudaria para sempre a música pesada. A sua carreira a solo consolidou-o como uma das maiores figuras da história do rock, tanto pelo talento como pela controvérsia. Duas semanas depois de esgotar o Villa Park, em Birmingham, Ozzy faleceu em julho, aos 77 anos, vítima de doença prolongada. O “Príncipe das Trevas” partiu, mas o seu impacto é eterno.

Tomas Lindberg (At The Gates; Lock Up, entre outros)
Tomas “Tompa” Lindberg nasceu em outubro de 1972 e tornou-se uma das vozes mais emblemáticas do death metal melódico sueco. À frente dos At The Gates, foi protagonista da New Wave of Swedish Death Metal, movimento que colocou Gotemburgo no centro do metal mundial. Colaborou ainda com Lock Up, The Crown, Nightrage e outros projetos. Faleceu em setembro, aos 53 anos, vítima de um cancro raro.

Ace Frehley (Kiss; Frehley Talent)
Paul Daniel Frehley nasceu no Bronx, em abril de 1951, e entrou para a história como guitarrista da formação original dos Kiss. Responsável por riffs icónicos e pela criação do logótipo da banda, Frehley foi também uma figura central na estética e identidade do grupo. Entre idas e vindas dos Kiss, manteve uma carreira a solo sob o nome Frehley Talent. Faleceu a 16 de outubro, aos 74 anos, na sequência de uma hemorragia cerebral causada por uma queda em estúdio

Brent Hinds (Mastodon)
Fundador e guitarrista dos Mastodon, Brent Hinds foi uma das mentes criativas por detrás da evolução do metal progressivo e sludge no século XXI. Apesar de um percurso artístico irrepreensível, os seus últimos meses foram marcados por dificuldades pessoais. Morreu a 20 de agosto, aos 51 anos, num acidente de viação, quando a sua Harley-Davidson colidiu com uma viatura. O seu contributo permanece essencial na história do metal moderno.

Marianne Faithfull (The Rolling Stones; actriz)
Nascida nos anos 40, Marianne Faithfull construiu uma carreira de culto que atravessou música e cinema. Figura associada aos Rolling Stones, tanto por colaborações como pela relação com Mick Jagger, trabalhou também com artistas como os Metallica. A sua vida foi marcada por dependências, quedas e renascimentos artísticos, sem nunca abandonar a criação. Faleceu em janeiro de 2025, mantendo-se ativa até ao fim.

Sam Rivers (Limp Bizkit)
Baixista e membro fundador dos Limp Bizkit, Rivers foi um dos pilares do nu-metal, ajudando a definir o som que dominou o final dos anos 90 e início dos 2000. Esteve ligado à banda ao longo de toda a sua existência. Faleceu em setembro de 2025.

Brian Wilson (The Beach Boys)
Cérebro criativo dos Beach Boys, Brian Wilson é uma das figuras mais importantes da música popular do século XX. Visionário, responsável por harmonias e arranjos revolucionários, deixou também uma carreira a solo marcante. Smile, durante décadas um disco “amaldiçoado”, tornou-se símbolo da sua genialidade e fragilidade. O seu desaparecimento encerra um capítulo essencial da história da pop.

Mick Abrahams (Jethro Tull)
Guitarrista fundador dos Jethro Tull, Mick Abrahams teve um papel decisivo na génese da banda e na fusão entre blues, folk e rock progressivo. Após um ataque cardíaco em 2009, manteve atividade criativa, lançando em 2016 o seu último trabalho, Long Long Gone. A sua influência continua a ecoar no rock britânico.

John Thomas Bratland (Tsjuder; Ragnador, entre outros)
Conhecido como Jhonton, trabalhou com Tsjuder, Ragnarok, entre outros. Aos 48 anos, e com uma discografia que fez dele figura de culto, o músico morreu, subitamente de ataque cardíaco. Tinha 48 anos.

Perry Bamonte (The Cure)
Nascido em Londres no dia 3 Setembro de 1960, Perry Bamonte tornou-se conhecido ao ter feito parte dos, incontornáveis, The Cure, primeiro entre os anos 90 e 2005 e regressou em 2022 até a data da sua morte na véspera de Natal. Pelo meio passou ainda pelos Love Amongst Ruin, com o baterista Steve Hewitt.