KING - “têm existido algumas decisões terríveis feitas pela Humanidade” (Entrevista com Dave Hill)

Fury and Death” é o título do terceiro álbum dos australianos King e que marca a estreia da banda pela Soulseller Records. Este é um álbum que mostra o crescimento da banda e, ao mesmo tempo, um outro lado. Este foi o ponto de partida para a conversa com Dave Hill, guitarrista da banda. Entrevista: Nuno C. Lopes


 


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HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns por “Fury and Death”, lançado em Novembro, como te sentes em relação ao resultado final?


Dave Hill: Estamos muito agradados com o resultado final! Tivemos o tempo necessário para os temas e conseguimos estar mais dedicados aos arranjos de cada canção, quer em termos musicais como líricos. Também não podemos esquecer o artwork criado pelo Mitchell Nolte que captou muito bem o espírito e juntou tudo num pacote que só nos deve orgulhar!


 


HellHeaven: Este é também o álbum que marca a estreia dos King na Soulseller Records, como se sentem na nova “casa” e como é que eles chegaram até vocês?


Dave Hill: O nosso contrato com a Indie Recordings tinha acabado e por isso tínhamos que encontrar outra editora! Já conhecemos a Soulseller há muito tempo e enviámos algum do nosso material e o resto, já sabes, é história! (risos) Eles são fantásticos e estamos muito satisfeitos, o Jorn (Soulseller) é muito entusiasta e apoia bastante, além de ser um grande profissional e que acompanha todos os lançamentos do inicio até à promoção a nível mundial. Sentimos que os King estão em casa na Soulseller, rodeado de grandes bandas e lançamentos fantásticos.


 


HellHeaven: “Fury and Death” é o terceiro álbum dos King e existe muito o mito do terceiro álbum ser o mais difícil. Sentiram alguma pressão ou responsabilidade desta vez? Até tendo em conta o sucesso dos discos anteriores…


Dave Hill: Não achámos que este álbum tenha sido difícil de criar, a escrita foi fluida e isso é bom! Acho que acabou por ser um processo natural em encontrar os elementos dos discos anteriores e construir algo orgânico para este terceiro álbum! É natural que queiras sempre criar o melhor álbum e que seja melhor que os anteriores, mas não sinto mais pressão do que aquela que colocamos sobre nós. Primeiramente fazemos música para nós e depois esperar que as pessoas à volta do Mundo também gostem! (risos)


 


HellHeaven: Estão também a chegar aos primeiros dez anos de carreira, qual o balanço que fazes e pode o “Fury and Death” ser o vosso melhor álbum até à data?


Dave Hill: Claro que é! (risos) Sentimos sempre que o último lançamento é o melhor e isso aplica-se ao “Fury and Death”. Estou muito orgulhos dos discos anteriores e todos eles têm lugar na nossa história. Quando ouço os discos anteriores consigo perceber o quanto a banda amadureceu e se desenvolveu musicalmente, explorando novas ideias e direcções. É um sentimento porreiro olhar para trás e ver a progressão mas o meu foco é sempre ter um olhar criativo sobre o futuro e o que se pode fazer em termos de caminhada!


 


HellHeaven: Os King são agora um quarteto, com a entrada em definitivo do Tim Andersson no baixo, ele que já estava com a banda ao vivo. Este foi um passo lógico e uma maneira de trazer algo novo à banda?


Dave Hill: Sim, foi mesmo isso! O Tim é um baixista fantástico e levou muita coisa para os nossos concertos! Pareceu lógico que o próximo passo foi incluí-lo na banda, até porque ele se aplicou tanto a aprender os nossos temas mas não só, ele aparece com muita coisa coisa escrita. Foi fantástico tenho neste álbum, ele tem tantas ideias que fazem crescer temas já existentes. No passado gravava eu as partes de guitarra e baixo, e este segundo era sempre muito simples e básico, e estou a ser simpático! (risos)


 


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HellHeaven: Ao longo dos anos a banda tem sido rotulada como Black Melódico ou Death Metal, contudo e em especial neste álbum, quer-me parecer que esses rótulos são um “atalho” para vos definir. Qual o melhor rótulo para os King?


Dave Hill: Muito obrigado pelas palavras! (risos) Mas sim, concordo contigo e é uma forma de colocar a questão! (risos) Olho para os King, simplesmente, como uma banda de Metal que toca o que gosta e para os seus fans! Claro que “caímos” nesses rótulos em alguns aspectos mas também acho que temos a nossa sonoridade própria e que vai além de categorizações.


 


HellHeaven: Além da intensidade a que já nos habituaram o “Fury and Death” traz uma banda maiz zangada. Qual a mensagem que tentam passar e de onde veio a inspiração?


Dave Hill: Muito do álbum foi escrito durante os confinamentos devido à Covid-19, por isso talvez essa raiva venha daí! Durante este tempo passei muito tempo na natureza, em caminhadas a explorar novas áreas com a minha família, o que também me trouxe alguma inspiração! Acho que existiu um esforço consciente para trazer o lado mais agressivo da banda e desenvolver esse elemento para onde estava mais inspirado e a ter maior satisfação na escrita.


 


HellHeaven: Falaste da pandemia mas agora parecem existir novos problemas, seja uma sociedade em declínio ou uma crise financeira. Com isso em mente e sendo os King uma banda australiana quais são os desafios para sair em tour? Como olhas para o estado do Mundo actual?


Dave Hill: A Covid foi um travão a fundo no que toca a digressões, que internas ou externas, mas isso já voltou ao normal! Para nós o maior desafio no que toca a digressões internacionais é o custo das viagens devido às longas distâncias e porque a banda ainda é underground. Houve um grande rompimento depois da pandemia, muita coisa mudou e têm existido algumas decisões terríveis feitas pela Humanidade, as guerras, a pobreza, o clima. Talvez consigamos agir todos como humanos e colocar de lado as pequenas divergências como a religião, o domínio de terras e por aí fora, e olhar para nós como serem humanos iguais e fazer deste planeta e da humanidade cada vez melhor.


 


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HellHeaven: A banda nunca esteve em Portugal, pode este ser o tempo certo? Sabes algo sobre o nosso país?


Dave Hill: Não sei muita coisa sobre a cena Metal daí, mas sei que há fans bastante dedicados ao Metal e que há uma grande cena aí, pelo que ouvi dizer! Seria fantástico aod King poderem tocar aí!


 


HellHeaven: O que odemos esperar dos King para o futuro? Alguma coisa que quisessem fazer ou experimentar? Qual a mensagem que deixas para Portugal…


Dave Hill: O futuro imediato passa por promover o “Fury and Death” e estamos a fazer planos para uma digressão pela Austrália e, espero, que possamos anunciar coisas em breve! Além disso, a Europa sempre esteve em cima da mesa e vamos tentar, também em 2024, fazer algo nesse sentido. Quero agradecer aos nossos fans portugueses e a quem ler a entrevista, espero que gostem do novo álbum e espero vê-los em breve na estrada!


 


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