Vinte anos depois da histórica vitória no Festival Eurovisão da Canção, os Lordi continuam a ser um caso raro de sucesso duradouro vindo de um contexto muitas vezes efémero. Formados em 1992, em Rovaniemi, na Finlândia, pela mente criativa de Mr. Lordi, a banda demorou uma década até alcançar o primeiro contrato discográfico, estreando-se em 2002 com o single “Would You Love A Monsterman?” e o álbum «Get Heavy». Desde cedo ficou definida a sua identidade: uma fusão entre hard rock e heavy metal envolta numa estética monstruosa inspirada por nomes como Kiss e Alice Cooper.
O verdadeiro ponto de viragem surgiu em 2006 com «The Arockalypse» e, sobretudo, com a vitória na Eurovision Song Contest através de “Hard Rock Hallelujah”, um momento que redefiniu a percepção do rock pesado dentro do concurso. A partir daí, os Lordi transformaram-se num fenómeno internacional, realizando digressões pela Europa, América e Japão, enquanto expandiam a sua imagem para além da música através de merchandising, cinema e até espaços temáticos dedicados à banda. Em Rovaniemi, a antiga praça central passou mesmo a chamar-se Praça Lordi em homenagem ao grupo.
O impacto da banda fez-se sentir também no próprio legado da Eurovisão, abrindo portas a uma maior presença de rock e metal no festival, influenciando apostas posteriores de países como a Finlândia, Alemanha ou Itália. Paralelamente, os Lordi recusaram viver apenas da nostalgia e mantiveram uma actividade constante, lançando regularmente novos trabalhos. Em 2021 surpreenderam com «Lordiversity», um ambicioso projecto composto por sete álbuns distintos que revisitam diferentes sonoridades e épocas musicais.
Independentemente das opiniões sobre a sua estética ou recepção crítica, os Lordi souberam transformar uma vitória improvável numa carreira sólida e duradoura, deixando uma marca singular tanto no heavy metal como na história da Eurovisão.
