
A Underword Europe Tour, que junta os Nile a outros três nomes de peso, teve uma explosiva, brutal e esgotada data em Lisboa. Vamos todos para as profundezas...e ainda bem! Texto e fotos: Nuno C. Lopes
Os anos vão passando e, neste regresso a Portugal, os norte-americanos Nile mostraram, demonstraram e provaram que são ainda (e sempre) uma força da Natureza e que as profundezas os aguardam mas, ainda assim correm o risco de desabar perante a ferocidade de um quarteto que teima em forjar temas (e actuações) capazes de abanar qualquer alicerce. Ao contrário da última passagem da banda pela sala lisboeta desta vez o público foi obrigado, à lei da força a cumprir as regras de Karl Sanders e companhia, ainda que o mosh seja impossível de controlar, o stage dive foi impedido de forma rigorosa e impiedosa. Os Nile são uma máquina oleada e o set, tocado sem perdão é a prova disso mesmo, percorrendo um pouco da sua (já longa) discografia, o RCA tornou-se num vulcão em pura e violenta ebulição. Não interessa falar de setlists ou da forma magnânime com que Kollias ataca o seu drumkit, sempre em modo zen, mas importa referir a forma como Dan Vadim Von está completamente integrado neste rolo compressor, revelando-se como o homem certo para o lugar. Os Nile nunca desiludem e ontem não foi (nunca podia ser) excepção.
Os Hideous Divinity, de Roma, acabaram por ser a certeza da noite. Com um grande álbum na carteira ("Unextinct") a banda soube ocupar o seu lugar mas não deixou de fazer justiça ao seu Death Metal com laivos de progressivo. Enrico Lorenzo é o Mestre de Cerimónia e onde todos os olhos (e ouvidos) pousam, tal a capacidade de comunicação e, porque não dizer, a forma provocatória como provoca um público que dá (quase) tudo em troca (não fossem as regras impostas e o Inferno teria desabado em Lisboa). Intensidade, teatralidade, devoção, brutalidade. Os italianos foram tudo e mais qualquer coisa! Aguarda-se o regresso!
Surpresa da noite (e nome a fixar) foram os estonianos Intrepid! Que brutalidade destes senhores! Se à primeira vista o vocalista Raiko Rajallane parece frágil, envergando uma longsleeve de Emperor (e contrastando com o enorme baixista Slim Soodla com a t-shirt de Cannibal Corpse), quando abre a goela é capaz de abanar qualquer edificio e provocar a mais gélida das tempestades. Com um Death Metal feito com ingredientes da Escandinávia os estonianos ganharam, com toda a certeza, novos fans em Lisboa! Foi à bruta e soube a pouco!
O mesmo se pode dizer aos húngaros Monastery, verdadeiros Deathsters e cientes da sua (importante) posição como banda de abertura, o quinteto apresentou-se em boa forma e foi a acendalha para tudo o que veio depois. Teve, talvez, contra si um palco demasiado cheio e que os obrigou a uma actuação (talvez mais) contida, no entanto cumpriram com rigor a sua actuação!
Concluindo: o Death Metal está vivo, com saúde e a respirar vitalidade e um RCA ao "barrote" e com suor nas paredes foi a prova disso mesmo. Quatro bandas a fazerem e a cumprirem o seu papel, o público (quase) sempre a seguir as regras e uma organização a roçar a perfeição! Vamos todos parar ao Inferno mas, desde quando, isso é mau?