PAI NATAL 2023 - OZZY OSBOURNE

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Um dia alguém, certamente mais sábio do que eu, disse que as homenagens devem ser feitas com o homenageado em vida. Pois bem, esta é, ainda que não sendo, propriamente, uma homenagem, é um sinal de respeito perante aquele que, para muitos, é o Pai do Heavy Metal, senhoras e morcegos, Ozzy Osbourne!


 


Nascido no dia 3 Dezembro de 1948 (75 anos), em Birmingham, John Michael Osbourne foi o quarto filho da relação de um casal da era industrial no Reino Unido, foi o primeiro rapaz, sendo que, após o seu nascimento vieram mais dois rapazes.


Talvez, naquela idade o pequeno Ozzy estaria longe de imaginar que ao fim de (quase) 8 décadas de existência, a sua figura e a sua música atingissem a imortalidade, até porque ele próprio não ajudou muito, apesar de ter feito o suficiente. É certo que os sinais sempre estiveram presentes, até mesmo na sua personalidade provocadora e nem sempre linear (aos 15 anos já tinha abandonado a escola, tentado o suicídio diversas vezes e já tinha o seu número de detenções por pequenos delitos). No entanto os Beatles mudaram a sua vida e “She Loves You” foi a acendalha que faltava. O pequeno John seria músico.


 


1967 é o ano em que tudo muda para Ozzy quando Geezer Butler formava os Rare Breed, já com Osbourne na voz (a banda deu 2 concertos) e, depois os Polka Tulk Blues (já com Tony Iommi e Bill Ward). Assim nasciam os Black Sabbath, não sem antes serem os Earth. Foi neste período que a banda se apercebe de como o público reage às Trevas e a nuances mais negras que se dá origem ao culto Black Sabbath e os dois primeiros álbuns, “Black Sabbath” e “Paranoid”, são bem recebidos ainda que, segundo Osbourne: "In those days, the band wasn't very popular with the women".


 


Foi também nesta altura que Ozzy conhece, através do manager Don Arden, pai de Sharon Arden, que mais tarde seria… Bom, vocês sabem quem é! Ainda que, naquela altura a relação de ambos fosse profissional, Ozzy nunca negou o quanto gostava de estar com a “pequena” Sharon.


 


Ao mesmo tempo que a banda ia crescendo, também as adições iam tomando conta do quarteto e as primeiras fissuras começaram a surgir, culminando na saída de Ozzy em 1979, o que levou o músico a um período de reclusão regado a álcool e banhado em drogas, enquanto congeminava o próximo passo… A carreira a solo. “Blizzard of Ozz” foi o primeiro lançamento e o sucesso bateu à porta do britânico, agora na casa dos 30 anos. Os excessos continuavam e, vítima disso mesmo foi Randy Rhoads e a sua trágica morte, que levou Ozzy a um estado de depressão, mas a história não ficava por aqui. Ozzy tinha muitas vidas, e esta era mais uma. Por esta altura Sharon já não era Arden mas sim Osbourne e Ozzy já não era Ozzy, mas sim o “Prince of Darkness”.


 


Nos anos 90, numa organização (quase) familiar, a vida de Ozzy volta a estar na “berlinda” com o nascimento da Ozzfest e com a primeira edição a decorrer em Outubro de 1996 em Phoenix. Ozzy era, novamente, uma Rock star e nem os Black Sabbath faltaram, numa espécie de “all in”, contudo este não foi o único benefício do festival itinerante, além de permitir a Ozzy voltar a sentir o prazer do sucesso perante uma audiência mais jovem (inclusivamente teve direito a um reality show na MTV), o Ozzfest permitiu que um sem número de bandas saboreasse esse mesmo sucesso. Não será descabido dizer que o Nu-Metal deve muito ao evento, basta perguntarem a bandas como System of a Down, Coal Chamber ou Tool.


Nós por cá também a tivemos, mas o Príncipe não compareceu, preferindo ir tomar chá com a Rainha de Inglaterra. Ficou a ferida aberta, sarada anos mais tarde na única aparição do vocalista por estas terras. Perdoado!


 


Ozzy nunca parou de trabalhar e com Sharon a seu lado criou uma espécie de duo dinâmico. Os álbuns sucederam-se e o músico sempre se adaptou às novas realidades, mostrando sempre disponibilidade para aparecer e colaborar. Sempre desbocado mas cada vez mais calmo Ozzy transformou-se num verdadeiro Príncipe e construiu o seu legado com todos os custos a isso associados, sendo que há muito se percebeu das suas limitações físicas, no entanto ele não pára, não pode parar. Entre discos a solo, a reunião com os Sabbath e múltiplas colaborações com outros artistas, fazem do “pequeno” John Michael figura central no Metal e em toda a indústria musical e os números falam por si: 53 anos de carreira, 22 álbuns (a solo e com Black Sabbath), milhares de quilómetros de estrada em digressões, 19 participações em séries ou filmes.


 


John Michael Osbourne teve uma vida em cheio, com todos os altos e baixos e altos e baixos, mas sempre à superfície de uma névoa feita de drogas, álcool e Rock'n'Roll e nós agradecemos, temos de agradecer. Sem ele e os “seus” Black Sabbath o Metal não seria o que é hoje. Ozzy foi a moda, Ozzy transformou a moda, Ozzy reinventou-se e, acima de tudo, teve quem alimentasse o seu ego e o seu desejo de mais. Talvez sem Sharon não existisse Ozzy há muito tempo, mas ainda bem que ele existe, para nos lembrar que o passado é o presente e o futuro.


 


Numa altura em que, possivelmente, não teremos Ozzy durante muitos mais anos chega a altura de deixar o Príncipe usufruir do que falta da sua vida mas, é também chegada a altura de agradecer o seu contributo para a música, para a indústria, para cada um de nós que usufruiu das suas palavras, da sua irreverência, da sua fragilidade e daquela que será a sua imortalidade. Obrigado, Ozzy.


 


 


 


 


 


 


 


 


 

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