
A Cowpunks Europe Tour passa por Portugal a 16 e 17 de janeiro, levando D-A-D e The 69 Eyes ao Porto e a Lisboa. Duas referências do rock europeu, com décadas de estrada, prometem concertos de celebração e identidade. Texto: Nuno C. Lopes / João Gama

Formados no início dos anos 80 em Copenhaga sob o nome Disneyland After Dark, os dinamarqueses D-A-D rapidamente perceberam que o caminho do rock também passa por evitar advogados: o nome foi encurtado, a atitude manteve-se intacta. A estreia discográfica aconteceu em 1986 com Call of the Wild, mas foi três anos depois que a banda entrou definitivamente no radar internacional com No Fuel Left for the Pilgrims, impulsionado pelo clássico incontornável “Sleepin’ My Day Away”.
Seguiram-se álbuns como Riskin’ It All, Helpyourselfish e Simpatico, lançados numa época em que o rock tradicional parecia condenado à sombra do fenómeno nu metal. Ainda assim, o som direto, despreocupado e assumidamente rock’n’roll dos D-A-D revelou-se um antídoto eficaz contra modas passageiras — algo que discos como Soft Dogs (2002) ajudaram a confirmar.
Nunca foram uma banda de rankings fáceis nem de concessões evidentes. Distantes dos tops, mas fiéis à sua identidade, os D-A-D chegam a 2025 com Speed of Darkness, um disco que funciona como manifesto de vitalidade e resistência rock. Um regresso que promete ser celebrado ao vivo, agora também nos palcos portugueses, onde a banda traz décadas de estrada, riffs sólidos e a certeza de que o rock, quando é verdadeiro, não envelhece. Texto: Nuno C. Lopes

Criados nos bares de Helsínquia em 1989, os The 69 Eyes começaram por um glam metal cru, registado em Bump ’n’ Grind (1992). A viragem deu-se no final da década: Wrap Your Troubles in Dreams (1997) encerrou a fase glam, enquanto Wasting the Dawn (1999) abriu caminho ao gótico que os levou ao sucesso internacional, consolidado com Paris Kills, álbum de platina na Finlândia.
Hoje definidos como “goth ’n’ roll”, misturam rock, sensualidade, escuridão e horror, com forte imagética inspirada em filmes The Lost Boys ou The Crow, colaborações na Califórnia e influências de Jim Morrison ou Elvis Presley audíveis na voz grave que os distingue. Com mais de 30 anos de carreira, regressam à estrada na “COWPUNKS & GLAMPIRES TOUR 2026”, após o lançamento de Death of Darkness (2023), provando que a noite — e o rock — continuam longe do fim. Texto: João Gama