O primeiro trimestre de 2026 já passou, revelando-se um campo fértil na música pesada. A HellHeaven fazum resumo do que tem sido este início de ano. Texto: João Gama

Segundo a Metal-Archives já saíram 1899 álbuns, enquanto no mesmo período do ano passado o número era apenas um pouco superior (2331). Contudo, quantidade não é sinónimo de qualidade, e, para já, o corrente 2026 tem sido um ano mais memorável, se comparado com todo o ano de 2025. Este período contou com o último álbum dos Megadeth, tal como lançamentos de grandes bandas de thrash, incluindo Kreator e Exodus. Noutros estilos, foram editados trabalhos de Mayhem, Ulver, Lamb of God, e também a surpresa do regresso dos Neurosis. Por cá, produziram-se novos discos de Gaerea e dos veteranos Morbid Death. E a lista continua...

Neste Radar, a Hellheaven destaca algumas sugestões adicionais que talvez tenham passado mais despercebidas, por roçarem mais no underground.
O black metal e as suas derivações continuam em grande forma: «Tėkmės» dos lituanos Juodvarnis tem uma abordagem progressiva, os dinamarqueses MØL exploram a vertente mais blackgaze/post-black em «Dreamcrush», os austríacos Ellende apostam na atmosfera e carga emocional de «Zerfall», enquanto em «Colours of Pain» os alemães Bloodred reforçam o lado mais agressivo de blackened death metal.
No espectro avant-garde, destacam-se proposta mais experimentais como «Ferrum Sidereum» dos italianos Zu ou «Esoterik» de Bong-Ra dos Países Baixos. Por outro lado, também se dá nova vida a estilos mais ortodoxos, salientando-se: «Isle of Bliss» dos finlandeses Hanging Garden no doom gótico; «Setting Fire To The Sky» dos britânicos Urne no sludge; «The Land East of Eden» dos Genus Ordinis Dei no death metal sinfónico; «Der Brauch» dos alemães The Hirsch Effekt no mathcore; «Summerchild» dos franceses Red Sun Atacama e «Astral Voyager Vol. 2» dos noruegueses Kal-El, no stoner / psicadélico; e ainda «De Venom Natura» dos italianos Ponte Del Diabolo que combinam doom, post-punk e black metal numa estética sombria, fresca e distinta.

A cena lusa revela uma vitalidade inegável, com um amplo espectro sonoro. Criando paisagens sonoras imersivas destaca-se «A Sea of Floating Mirrors» de Soundscapism Inc. enquanto no campo mais experimental se refere «Blood & Honey» dos Summer of Hate de cariz mais shoegaze. Num registo mais pesado e psicadélico, «The Weight of Life» é uma grande aposta de Lord of Confusion.
Por outro lado, uma energia bem mais direta e musculada surge no groove de «Resistance» dos Last Piss Before Death. E por fim, realça-se ainda «Gehenna» que é o disco de estreia dos Fjords, e que sugere um percurso promissor.
Para já 2026 arranca com power suficiente para uma boa colheita no que diz respeito às vertentes mais pesadas e alternativas da música!