RETRO REVIEW por João Gama

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MONO
«Hymn to the Immortal Wind» (2009)
Temporary Residence Limited
Os Mono já celebram mais de duas décadas, tendo sido formados ainda no milénio passado em 1999! A abordagem de Mono é completamente instrumental, e a banda pratica uma mistura sonora minimalista que passa pelo rock experimental e shoegaze e incorporando influências mais clássicas ou de bandas sonoras, sempre carragada de emoção. A banda, contudo, rejeita a classificação de post-rock, e declara que o seu objectivo é tocar o ouvinte, assim produzindo música cativante e emocionante. E o seu sucesso está à vista de todos, sendo esta é uma daquelas (poucas) bandas japonesas que prosperou sucesso no Ocidente, tendo já viajado em digressão pela Europa, América, Austrália, e claro está, a Ásia.
Este “Hymn to the Immortal Wind” foi lançado por volta do décimo aniversário da banda, e é um daqueles álbum que é incapaz de nos deixar indeferentes. Neste seu quinto álbum, a tristeza e a alegria fundem-se de tal maneira que nos ficam a faltar as palavras – apenas podendo acabar por descrever as melodias como belas. Este é um daqueles álbuns maiores que tudo, maiores que a vida. Em retrospectiva, ouvir este disco, hoje ou na altura em que saiu acaba por ser a mesma coisa. Não interessa se já ouvimos e repetimos. A cada nova audição o “Hymn to the Immortal Wind” não perde emoção.

 

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HOLOCAUSTO CANIBAL
«Gonorreia Visceral» (2000)
So Die
Em 1980 era revelado o filme italiano Holocausto Canibal que pode ser descrito como perturbador. Mais tarde, mas ainda no milénio passado, mais precisamente em 1997, nascia em território nacional a banda do mesmo nome que igualmente prometia perturbar, porém a nível musical. Depois da demo “Opus I”, eis que é lançado o disco de estreia “Gonorreia Visceral” em pleno ano 2000 através da, agora defunta, So Die. E em conjuto, estes dois discos foram recentemente regravados e lançados como “Catalepsia Necrótica: Gonorreia Visceral Reanimada” em 2017. En contraste com a versão regravada (e masterizada por Dan Swanö), o disco original tinha uma produção mais crua. E é nessa crueldade que se foca o disco, como já se podia adivinhar pelo seu título e pelo nome da banda. Uma mistura de death metal brutal e grindcore cuja temática suja e visceral aponta na direcção do grindgore. Guitarra distorcidas, blastbeast acelerados e grunhos grotescos são, como não poderia deixar de ser, os ingredientes principais. Isto claro em faixas extremamente curtas e directas (raramente ultrapassando os três minutos). Mas o disco é mais do que barulho, existem intros e interlúdios que suavizam o ruído, criando uma atmosfera tortuosa – como aquela antecipação num filme de terror antes dos jump scare. Todos estes detalhes fazem deste álbum a obra assustadora que cimentou a carreira da banda.

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