O Rock Progressivo (e não só) regressou ao Paço da Comenda, em Tomar, para uma edição histórica do Comendatio Music Fest. A HellHeaven esteve no primeiro dia. Texto e Fotos: Nuno C. Lopes

São 16horas (em ponto), menos uma hora nos Açores, quando se ouvem os primeiros sons vindo do palco do Comendatio, ao mesmo tempo que os God Hates a Coward começam o seu set o tempo pára sem que a terra pare de girar. Sons progressivos de um quarteto instrumental que continuam a dar conta de si e estão a crescer, crescem tanto que até o Menino da Lágrima (imagem da banda) já fuma!




Um belo começo, perante uma audiência já muito bem composta!
Depois do cancelamento, em 2023, os "nuestros hermanos" Corrosive pisaram, finalmente o palco do Comendatio, apanhando todos de surpresa com o MetalThrashcore. A banda tem energia suficiente e um punhado de canções que servem bem o propósito de um bom headbang. Valeu a pena esperar!
Com os horários a serem cumpridos (aplaude-se!) os portuenses Sullen foram o prato seguinte, repetindo a presença no festival ribatejano. As canções dos Sullen são imersivas, cinematográfica e feitas de trechos e tempos que nos sacodem a alma! Não fosse o momento, a meio da actuação, com uma voz off (que fez um interludio publicitário sobre o mais recente lançamento dos portuenses), e tudo tinha ficado no "ponto" mas... siga a música e os Sullen deram um concerto de excelência!




Os franceses Hypno5e eram aguardados com alguma expectativa e nada saiu gorado. O som da banda é estimulante e os instrumentos são tratados com o respeito que merecem! Ora pesado, ora hipnótico, os franceses deram um concerto competente e saíram do palco perante aplausos e a esperança de um regresso!
O Sol começava a esconder-se no horizonte e os Heart of a Coward trouxeram o caos! Metalcore furioso e pronto a ser debitado nas caras dos presentes! Quem não conhecia ficou a conhecer da melhor forma, à bruta! Com uma só regra os HOAC, levantaram corpos, poeira, Power Rangers! Intenso, com grandes temas e com o público agarrado, os britânicos foram a surpresa deste primeiro dia no Paço da Comenda!




Estava tudo pronto para os "pesos pesados" e os primeiros foram os germânicos Long Distance Calling! Já se sabe que estes germânicos têm nos seus instrumentos uma extensão de si próprios e a sua sonoridade permite que a mente se desprenda do corpo e navegue para longe, até, talvez, o espaço sideral. Um guitarrista serpenteante, outro maior que a vida e uma secção rítmica do outro mundo! Não se sabe se o tempo voou, mas pedia-se mais tempo, contudo ficou a promessa do regresso! Cá estaremos a aguardar!
De regresso a Portugal os Leprous já não são os mesmos! A banda de Einar Solberg desprendeu-se do seu passado (em alguns momentos) para apresentar um som mais electrónico, onde o maior destaque é o facto do vocalista se ter desprendido (quase) na totalidade das teclas e estar mais solto e "vivo" enquanto espalha a sua voz angelical perante um recinto em êxtase com este regresso. O culto existe, a qualidade também e, o que a banda fez no festival foi apresentar-se em grande forma, tocaram os clássicos de sempre (acompanhados pelo público) numa noite sem mácula. Os Leprous aquecem a alma a qualquer pessoa. Estão diferentes mas isso pouco interessa pera o recinto esgotado. Por algum motivo os noruegueses são o "rosto" de um novo Rock Progressivo e fecharam o dia com chave de ouro!




Neste primeiro dia ficou a certeza que o Comendatio veio para ficar! Horários cumpridos, bom ambiente, boa organização e, principalmente, boa música. Tudo se conjuga para que o Paço da Comenda faça parte do itinerário festivaleiro nacional. O Rock Progressivo está vivo.