DECAPITADED/INCANTATION/NERVOSA/KASSOGTHA - LISBOA AO VIVO 25.3.2024 (Reportagem)

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Numa segunda-feira de Março, que mais parecia de Novembro, o LAV- Lisboa Ao Vivo encheu-se para uma noite de brutalidade e peso à qual ninguém saiu, certamente, ileso.
Começando pelo fim, os Decapitaded foram devastação em estado bruto, liderados pelo imponente Rafal Piotrowski os polacos sabem bem as regras do jogo e desde o inicio da actuação que isso ficou bem patente, também não era preciso muito, este era um regresso há muito aguardado e, aparentemente, de ambos os lados. "Perfect Dehumanisation (The Answer)" iniciou o caos, sendo que a sequência "Eternity Too Short", "Mother War" e "Nihility (Anti Human Manifesto)" nada mais fizeram que incendiar (ainda?!) mais, corpos pelo ar, circle pits, estava já tudo doido num concerto sem perdão e sem mácula. O quarteto é uma máquina de destruição bem oleada e conforme o set avança a brutalidade aumenta, como se viu em "Symmetry of Zero" ou na versão de "Suffer the Children", original de Napalm Dead. Num menu onde não faltaram temas como "Cancer Culture", "Just a Cigarrette" ou "Iconiclast", o apogeu surgiu no fim com uma "Last Supper". Os polacos estão mais ferozes que nunca.

Também de regresso a Portugal os Incantation, que foram e são porta estandartes do Death Metal de Nova Iorque, mostraram a sua vitalidade, com um Death Metal arrastado mais devastador, o quarteto liderado por John McEntee sabe andar nisto e com um set que abraçou as três décadas de existência, não deixou ninguém indiferente, Kyle Severn é maestro no seu drum kit, enquanto que Sherwood eleva a secção rítmica a outro nível e Shively rebenta com os alicerces com a sua guitarra feroz e laminada. "Shadows of the Ancient Empire", "Vanquish in Vengeance" ou "Blasphemous Cremation" são alguns dos temas que levaram o público a ser uma massa disforme de carne maturada. Ficou explicada a devoção e longevidade dos norte-americanos, venham mais três décadas disto, por favor.

As brasileiras Nervosa, tambem elas de regresso a Portugal (algo comum a todas as bandas) trouxeram outros ingredientes à degustação. As meninas nunca desiludem e nesta noite não foi excepção. A principal curiosidade seria ver como esta nova versão das brasileiras se iria portar e, se dúvidas existissem, elas ficaram desfeitas, ainda que num set curto (mas com a promessa de um regresso), Thrash até ao osso e, com a liberdade comunicativa a que a língua permite, Prika Amaral deu tudo de si, ainda que com a revolução ocorrida no quarteto, em nada beliscou a máquina. Nota para a baterista Gabriela Abud que, no dia do seu aniversário, foi presentada com os parabéns (com crew e público em uníssono), com direito a bolo e tudo! Somos Metal mas Humanos...felizes!

Os suíços Kassogtha foram a banda de abertura e como cresceu a banda! As duas vozes que se fundem na perfeição, uma atitude provocadora e um vozeirão de excelência, cortesia de Stéphanie Huguenin, e com um guitarrista que conhece o seu instrumento e faz dele o que quer, a banda mostrou-se eficaz e agradecida por estar nesta tour e em Lisboa. Recolheram os primeiros aplausos e as primeiras movimentações na audiência e, verdade seja dita, fizeram por merecer.

Em suma, esta foi uma noite em que os alicerces da sala lisboeta abanaram forte e feio e onde ficou bem patente a força que Death Metal tem. Nenhuma das quatro bandas foi inferior à outra e, quando isso acontece, todos ganham. Uma nota para a Sonic Slam que se estreia nestas lides com um evento de sucesso.
Texto: Nuno C. Lopes

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