
O regresso triunfante dos Gaerea com este "Coma", quarto disco de uma carreira que tem vindo a ter um crescendo de popularidade e, mais importante, qualidade! "Coma" começa onde "Mirage" termina e marca uma nova "vida" nos cinco mascarados! Abrindo com "The Poet's Ballad", com um inicio a lembrar Alcest mas que, rapidamente dispara para o Black Metal, mas onde fica, desde logo vincada que os Gaerea não se intimidam em arriscar, facto que fica comprovado em "Hope Shatters" (um dos melhores temas do álbum) e aquele que encarna todo o conceito do disco. Também patente fica espelhado que Miguel Tereso é o homem certo para a banda e que, também ele, tem evoluído na sua arte. Mais do que "despejar" fúria e devastação, os portuenses afirmam-se como mergulhadores do caos mental e das profundezas do que é o pensamento, "Suspended" e "World Ablaze" surpreendem pela maturidade apresentada e, novamente, numa reinvenção da banda que alia (cada vez melhor) a melodia e o peso, o que faz de cada tema uma descoberta que se redescobre a cada audição. A faixa-título aproxima os Gaerea dos Moonspell antes de mergulhar (novamente) na melancolia "Alcestiana" em "Wilted Flower", entrando numa segunda fase do disco, sem que isso "desconecte" o que até aí se passou, até porque "Reborn", "Shapeshifter", "Unknown" e "Kingdom of Thorns" deliciam pela descida às catacumbas do Homem, terminando um ciclo em que o pó dá lugar ao pó, alimentando a "falsa esperança" da transformação! Resumindo: "Coma" não é, somente, um disco, é uma experiência sensorial, que coloca à prova todos os sentidos, que baralha para voltar a dar, que dá para voltar a baralhar. Os Gaerea reinventam-se e alimentam a sua máquina Humana com essa condição auto-destrutiva que ao mesmo tempo renasce. Fazendo de cada audição uma escuta. O quinteto não é só a melhor banda nacional do momento, os Gaerea são das melhores bandas (do género) da actualidade e "Coma" é um dos discos do ano. Texto: Nuno C. Lopes