
Faltavam poucos minutos para as 23horas quando o quarteto moldavo INFECTED RAIN terminou uma actuação irrepreensível onde poucos foram os momentos erráticos, aliás, esses momentos foram, apenas, pormenores que elevaram os cerca de 60minutos de actuação.
Liderados pela única Lena Scissorheads, cujo corpo tremendamente tatuado e longas rastas laranja, esconde uma frontwoman com uma simpatia e sorriso contagiante, percebe, ao longo de todo o concerto o quanto ela se diverte e estimula o público, incitando ao movimento e, ao mesmo tempo, mantendo-o sempre na palma da sua mão. Se, há cerca de um ano, os moldavos tinham dado boa conta do recado, desta vez, acertaram em cheio com um setlist que percorreu os cinco álbuns da banda. Não poderemos, nestas linhas, esquecer a energia que Vidick Ojog, figura (quase) central e que, com as suas longas rastas percorre todo o palco com espasmos de energia que lhe percorrem o corpo, o guitarrista é o desassossego frenético, parando, ocasionalmente para, talvez, ganhar fôlego ou, esta com toda a certeza, troca algumas das cordas partidas da sua guitarra (sem que isso o faça parar de tocar). Os Infected Rain cresceram e isso percebe-se a partir do momento em que Pendulum e Longing iniciam e, ao longo de uma actuação arrebatadora foram

demonstrando o seu afecto por Portugal e pela nossa língua, incitaram à dança, ao movimento e, porque não dizer, à vida. Dying Light, Orphan Soul ou Walking Dead foram temas que foram escutados por um RCA que, ainda que composto, estava longe de lotado, mas isso pouco interessa. Quando Sweet, Sweet Lies, já em encore, termina, sabemos que os Infected Rain são uma certeza e que, certamente, ou vamos ver novamente por cá, neste ou em outros palcos.

Já antes, e a abrir as hostilidades, os ALL AGAINST atiraram-se ao concerto da única maneira que sabem, à pedrada. Com novo álbum, lançado em Abril, a banda de Bruno Romão , Henrique Martins e companhia aproveitou cada segundo para usufruir do caos, o que criou os primeiros momentos de mosh e circle pit, muito por causa de temas como Mass Murder Policy, I Won't Obey Anymore ou Rebelião. Uma actuação segura e (quase) sem tempo para respirar. Os lisboetas são, cada vez mais, uma certeza no nosso panorama e não estão disponíveis para ser parados!
Foi um final de fim-de-semana que deu a todos os presentes bons motivos para suportar a semana que se avizinhava. Faltou, talvez, mais público mas, como se diz na gíria popular: só faz falta quem está!