Confesso, desde já, que nunca fui um seguidor atento destes britânicos, o que não quer dizer que lhes retire o mérito ou a qualidade dos seus álbuns, alguns dos quais são mesmo dos mais importantes do género que ajudaram a criar e ao qual são fieis há mais de três décadas. Assim, este novo álbum é um álbum com chancela My Dying Bride, com todos os defeitos e virtudes, onde atése consegue perceber, talvez, algum cansaço na banda. A voz de Stainthorpe continua a ser guia nas guitarras arrastadas, como se a nostalgia e a penumbra se arrastassem lado a lado numa agonia romanticamente elevada ao expoente da dor. Em certa medida poderemos dizer que o sexteto continua a ser Doom dentro do Doom, com todas as dores que isso acarreta. A música dos britânicos continua a ser feita para se ouvir no escuro, com copos de absinto e incenso. Ainda assim, por entre o arrasto corporal da música, "A Mortal Binding" é um disco que traz a memória dos grandes álbuns dos anos 90. Não sabemos o que o futuro do sexteto nos reserva, contudo, enquanto eles andarem por cá o Doom estará bem entregue!
Texto: Nuno C. Lopes