(Opinião) POSTAS DE PESCADA - “A Conspiração do Silêncio e do Ruído”

De regresso aos textos de opinião, o Nuno C. Lopes manda as suas Postas de Pescada sobre o tudo e sobre o nada e tudo o que está no meio. 

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Nunca o ruído é tão ensurdecedor como o silêncio, nem o silêncio tão barulhento como o ruído. São dois conceitos que se afastam e se reencontram ao ritmo das vidas que atravessam.
Numa sala silenciosa escuta-se o bater de um coração — e esse pequeno ruído transforma-se em vida. Tu serás mãe. Tu serás pai. Tu serás criança.
Anos mais tarde, no ruído maquinal que sustenta os dias, o silêncio irrompe para anunciar o fim. E assim seguimos: o silêncio após o ruído, o ruído após o silêncio. Tu foste mãe. Tu foste pai. Tu foste filho.
Também na música este jogo se repete. Há silêncio no ruído e ruído no silêncio: no gesto quase instintivo de carregar “play”, na pausa que interrompe, no eco que adormece no fim de um disco ou no murmúrio que se levanta no seu início. Não precisa de ser rock ou metal para ser ruído, nem melancolia para ser silêncio.
No fundo, silêncio e ruído são presenças cobardes e inevitáveis: irrompem e interrompem a vida — e a música — sem pedir licença, nem perdão.

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