Sempre detestei a expressão silly season, mas começo a achar que lhe devo um pedido de desculpas. Afinal, já nem existe uma "época parva". Agora vivemos numa parvoíce em permanência.
Continuamos a ter férias, filmes de verão e festivais para quebrar a rotina. O problema não é esse. O problema é que, desde a pandemia, a estupidez parece ter sido promovida a modo de vida. De Janeiro a Dezembro, sem interrupções, multiplicam-se polémicas inúteis, indignações fabricadas e discussões sem qualquer relevância. A excepção transformou-se na regra.
Se antes a silly season era um pequeno desvio anual, hoje é um estado de espírito colectivo. Anda tudo zangado, ofendido ou especialista em tudo, sempre pronto a alimentar a próxima tempestade de ruído. É uma máquina de produzir parvoíce que nunca entra de férias.
Talvez esta seja a única verdadeira consequência das alterações climáticas de que ninguém fala: a estação da estupidez deixou de ter calendário. Tornou-se um fenómeno extremo, permanente e cada vez mais devastador.
Por isso, deixo apenas um apelo: se não conseguirmos acabar com a silly season, ao menos tentemos reduzir-lhe a duração. Façamos o favor de ser um bocadinho menos parvos. O planeta — e a nossa sanidade — agradecem.
