(Opinião) POSTAS DE PESCADA- "Quando a Música Nos Encontra"

De regresso aos textos de opinião, o Nuno C. Lopes manda as suas Postas de Pescada sobre o tudo e sobre o nada e tudo o que está no meio.

Há momentos em que ficamos presos numa cena, numa música ou numa tela e percebemos aquilo de que somos feitos. É aí que a arte atinge o seu auge: quando chega ao consumidor e, simultaneamente, quando um Humano encontra outro Humano.
Não falo da obra que alcança multidões, mas daquele instante íntimo em que, mesmo no isolamento de quem vagueia pelo Mundo, uma obra nos encontra. Atinge-nos a alma e o corpo, e a metamorfose acontece.
A arte, independentemente das ferramentas com que é criada, nasce muitas vezes como um prazer individual, transforma-se em experiência colectiva e regressa ao indivíduo, na sua mais absoluta individualidade.
Falo muito de música — mais do que deveria e menos do que gostaria — e nessa partilha com um conjunto cada vez menor de melómanos percebemos que a mesma obra pode atingir cada pessoa de forma diferente. Um disco pode revelar a sua essência através da faixa A ou da Z, e talvez seja precisamente nessa relação única entre obra e ouvinte que reside algo de especial, algo irrepetível.
A arte enquanto catarse.

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