(Opinião) POSTAS DE PESCADA- " A Lei de Lars: Falhou o tiro. Acertou na indústria."

De regresso aos textos de opinião, o Nuno C. Lopes manda as suas Postas de Pescada sobre o tudo e sobre o nada e tudo o que está no meio.

Lars Ulrich não é apenas o baterista de uma das bandas mais famosas e rentáveis da história da música e do Metal. É também empresário, figura de peso e, de certa forma, o “senhor” dos Metallica, banda que fundou com James Hetfield no início dos anos 80. Uma personalidade nem sempre consensual — muitas vezes pelos motivos errados, embora algumas das polémicas tenham a sua piada —, algo que parece não o incomodar particularmente.
Em 2000, Lars protagonizou, porventura, o seu momento mais visionário com a batalha contra o Napster, que acabou por ser uma verdadeira acendalha para o mundo digital tal como hoje o conhecemos. O baterista e os Metallica defenderam os direitos dos artistas, mas expuseram, sobretudo, aquilo que o digital poderia representar para os consumidores. A banda ganhou judicialmente, mas, paradoxalmente, também abriu caminho às plataformas que surgiriam depois, obrigando a indústria a adaptar-se a uma nova realidade e contribuindo para uma redução substancial dos lucros dos artistas — algo que, para uma banda como os Metallica, será sempre uma questão relativamente menor.
No fundo, nada do que Lars denunciava era verdadeiramente novo: mudou apenas o formato. Ao tentar ser o bom da fita na defesa dos artistas, acabou também por assumir o papel de mau e vilão aos olhos de muitos. E, ao abrir a verdadeira caixa de Pandora do digital, Lars Ulrich ajudou, talvez sem o saber, a acelerar uma transformação da qual a indústria musical nunca mais voltaria atrás.

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