(Opinião) POSTAS DE PESCADA - “A falência auditiva de quem reduz o Metal a barulho”

De regresso aos textos de opinião, o Nuno C. Lopes manda as suas Postas de Pescada sobre o tudo e sobre o nada e tudo o que está no meio.

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A pergunta “como é que consegues ouvir isso?!” não tem uma resposta simples — porque a música, especialmente o Heavy Metal, não se explica como uma fórmula: sente-se. Para muitos, não é apenas um género, mas parte da identidade, algo que surge de forma inesperada e que vai muito além do rótulo “metalhead”.
Assumir-se como melómano implica não viver fechado num único estilo. Tal como na vida, a diversidade é essencial — e, curiosamente, poucos fãs de Heavy Metal ouvem exclusivamente esse género. O Metal abre portas, não as fecha.
O seu apelo pode ter várias origens: o direito à diferença, o peso cultural e histórico ou a forma como aborda temas únicos. Sempre foi um género “fora da caixa”: das abordagens quase científicas dos Carcass, às narrativas históricas dos Sabaton, ou à identidade nacional dos Moonspell, entre muitos outros exemplos! Há substância, conceito e intenção — não apenas “ruído”.
Em contraste, grande parte do Pop atual segue fórmulas repetidas, orientadas pelo mercado, muitas vezes mais preocupadas com o lucro do que com a originalidade, resultando numa reciclagem sonora para ouvintes menos exigentes.
Por fim, há a liberdade. O Metal funciona como refúgio emocional — seja na catarse física de um mosh solitário ou no silêncio introspectivo perante a intensidade do som. O peso e o extremo tornam-se, paradoxalmente, formas de cura.
No fim, quando alguém perguntar “como consegues ouvir isso?”, talvez a melhor resposta seja outra pergunta: “como é que tu não ouves?”

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