De regresso aos textos de opinião, o Nuno C. Lopes manda as suas Postas de Pescada sobre o tudo e sobre o nada e tudo o que está no meio.

Nunca gostei de “velhos do Restelo” e tento contrariar essa tendência, mesmo com a idade a dar sinais. Em Portugal, talvez influenciados pelo Fado, há uma propensão para o saudosismo e o pessimismo. No Metal, recordo os anos 80 e 90, quando os metalheads eram estigmatizados e as “tribos” não se misturavam. Havia menos bandas e espaços, mas os anos 90 trouxeram um verdadeiro boom do Metal nacional, com novas sonoridades, o tempo do tape trading e maior atenção mediática, com publicações como o Blitz a marcarem uma geração.
Décadas depois, os músicos portugueses ganharam projeção internacional, tornaram-se mais ambiciosos e diversificados. O panorama deixou de se resumir a nomes como Moonspell, RAMP ou Tarântula, abrindo espaço a múltiplos géneros e novas bandas.
O problema surge quando o hype dá lugar à indiferença e à nostalgia, que impede reconhecer a evolução e a profissionalização do presente. O Metal nacional já não pode viver do passado: precisa de apoio, abertura e menos preconceito. Bandas como Gaerea, Toxikull, Speedemon, Hourswill ou Glasya não precisam de “velhos do Restelo”, mas de ouvintes atentos e de um público que valorize o presente e o futuro.