De regresso aos textos de opinião, o Nuno C. Lopes manda as suas Postas de Pescada sobre o tudo e sobre o nada e tudo o que está no meio.

Uma das frases que mais confusão me faz — e que, infelizmente, já ouvi demasiadas vezes — é: “não ligo à música”. Não apenas por ser melómano, mas sobretudo por ser humano. Como é possível alguém viver indiferente à música? E nem sequer falo de Heavy Metal ou Rock, géneros reservados, segundo alguns estudos, a certos “iluminados”.
Não ligar à música é ignorar uma das formas de comunicação mais primitivas da humanidade, ao lado da pintura, muito antes de existirem palavras. Para lá dos seus benefícios evidentes, a música tem um poder harmonizador, criativo e emocional capaz de revelar partes de nós que desconhecíamos. Quantas vezes nos perdemos numa melodia, numa letra, num arranjo ou numa dança?
Seja qual for o género, a música é uma bênção: deve ser guardada, apreciada, reinventada e vivida ao sabor do estado de espírito, da luz de uma vela ou do brilho de um strobe.
Não ligar à música é desligar-se da vida e dos seus prazeres. É morrer lentamente sem nunca descobrir o que existe para lá do horizonte.
Liguem a música. Liguem-se à música. Liguem-se à vida.