Nos últimos anos o Fado, enquanto estilo musical, tem vindo a reinventar-se e, em muitos casos a transformar-se em algo amorfo e que pouco (ou nada) tem a ver com as raízes do género! Este primeiro registo de Paula Teles (Lilith's Revenge) é a antítese das linhas anteriores. Ainda que "Desencanto" não seja Fado, também não deixa, também, de o ser. "Desencanto" tem todos os igredientes que lhe conferem essa identidade nacional: noite, saudade, (des)amor, tudo isto com a voz versátil e poderosa de Paula Teles que dá tudo de si ao longo de temas que deixam de ser dela para ser de todos os que se cruzem com a eles. São sete temas bem construídos, bem escritos e melhor transformados em algo que nos prende e arrepia a epiderme. "A Carta" e "Canto ao Luar" são intensos, como são todos, "Grito", "Inocência" ou "Jogo do Silêncio" (com Björn Strid, Soilwork) são outros exemplos de um disco intenso e sublime. "Desencanto" é um dos melhores discos nacionais do ano, seja em que género for!
Texto: Nuno C. Lopes