O LAV-Lisboa Ao Vivo encheu-se para a última data, em 2025, dos Bizarra Locomotiva na capital. A acompanhar estiveram uns, regressados, Dr. Zilch que foram o "aquecimento" perfeito. Texto e Fotos: Nuno C. Lopes

Enquanto no exterior da noite lisboa a precipitação não dá tréguas, o quarteto, que dá pelo nome de Bizarra Locomotiva, incendiava um Lisboa Ao Vivo esgotado! Há muito que a banda ultrapassou o estatuto de culto, sem nunca ter saído de lá, mas isso não impede que Rui Sidónio e companhia se mantenham firmes e constantes numa carreira que ultrapassa as três décadas. Ao longo de noventa minutos os lisboetas foram mais Locomotiva que Bizarra, e isto é dito sem qualquer negatividade associada, até porque a banda não sabe dar um mau concerto. A noite é de confrontação, é de agitação e Sidónio continua (e bem!) a ser o mestre de cerimónias da condição Humana. Do pecado, da luxúria, da indecência e da provocação, assim como os seus aliados neste fuga decadente para a morte que nos aflige sem afligir. Sidónio arrasta o seu cadáver multiplas vezes para o público, transpirado, excitado...sem perdão e sem qualquer marca de arrependimento. Torna-se imperativo realçar a forma do vocalista, que faz dele um monstro de palco (e fora dele), usando os companheiros de banda como soldados numa amálgama industrial e metal que não se perde em palavras gastas! Como não podia deixar de ser Fernando Ribeiro é convidado de honra nesta noite de podridão perversamente memorável. A máquina segue imparavel e nós, meros humanos, seguimos com ela!
A abrir a noite os, regressados, Dr. Zilch, foram a cereja na base um bolo! Provocadores como sempre, a disparar em todas as direções, a banda assumiu-se como a surpresa da noite, tal a forma "oleada" com que o receituário nos foi passado. Lascivos, poderosos, energéticos, assim foram os Dr. Zilch neste regresso aos palcos! Adultos e sem receios da multidão que não era deles. No fim, deixaram o público de rastos com a versão de "Relax", dos Frankie Goes to Hollywood! Esperamos mais novidades do quarteto, os sinais, esses, foram muito bons!