Os Blasted Mechanism celebraram três décadas de carreira numa Sala Tejo a rebentar pelas costuras. E estávamos todos tão lindos... palavra de Karkov. Texto e Fotos: Nuno C. Lopes

Um concerto de Blasted Mechanism nunca será, apenas, um concerto. Era assim em 1995 (quando se fundaram) e continua a ser em 2025. É certo que, pelo meio existiram dissabores, sendo que o maior foi a saída de Karkov por alturas de "Sound in Light", no entanto, os seres espaciais não se deixaram abater e, pela mão de Valdjiu, os Blasted reiventaram-se e construíram o seu percurso em crescendo, ainda que (naturalmente) Guitschu (o substituto de Karkov) fosse olhado com desconfiança, afinal nunca seria fácil substitutir alguém como Karkov...mas isso não importa!
Ao olhar para a Sala Tejo percebemos que a família Blasted cresceu e, damos a por nós a pensar quantos daqueles casais se conheceram através da banda, foram pais com a banda, separaram-se com a banda e foram a revolução Blasted. Em cima do palco estão duas máscaras (do tempo de "Plasma", está o Didjeridu ao canto, nada muda neste futuro que nos será apresentado. Quando Karkov surge é como se voltassemos a "Sound in Light" e estamos 18 anos mais novos. Karkov continua em grande forma e a ser o embaixador do Karkoviano. Por esta altura, o vosso escriba já se encontra numa viagem pelo espaço e tempo. Valdjiu, talvez com algum nervoso miudinho inicial, lá se começa a soltar. Os Blasted até podem estar menos tribais, mas o futuro também é isto, ainda que Winga mostra que o passado vive na banda e demonstra todo o seu talento enquanto percursionista. E o publico deixa que a estratosfera seja nada mais que mera passagem para a difusão da mente. Mas a dança faz parte e, tanto Guitschu como Riic Wolf são o presente e o futuro desta banda universal. Os Blasted são uma família e, pelo meio, Karkov agradece a managers, agentes, editoras e toda a família que traz a banda até nós!

Assim passaram duas horas e 30 anos. Nostalgia de um futuro. Visão de um passado. Passado, presente e futuro, tudo numa mesma sala em comunhão, com a dança e evolução. Claro que, para os mais saudosistas, faltaram temas como "Swinging with the Monkeys" ou "Calamidad", mas isso não interessa nada, até porque quando o encore com "The Athom Bride Theme" (com David, filho de Fred Stone na bateria) e "Karkov" termina, as almas regressam aos corpos, leves, felizes e o futuro está já ali.
Prova de que esta família cresceu é Jazzy Moon (filha de Valdjiu) que teve honras de abertura. Um jazz que se fundo com o Rock, em canções simples, de dores e desamores, alguns amores. Jazzy soube assumir o seu papel e apresentar-se a bom nível. Na memória ficam temas como "Caught in the Middle" ou "Bad Girl".
