(Reportagem) GOD IS AN ASTRONAUT + JO QUAIL, "The Embers Tour" em Lisboa e Madrid

Actuaram no dia 9 Outubro em Lisboa antes de rumarem à capital espanhola para mais uma data da "The Embers Tour", dos God is An Astronaut. A Hellheaven esteve em ambos os concertos e o que se passou está aqui. Fotos e texto (Lisboa): Nuno C. Lopes / (Fotos e Texto (Madrid): João Gama

Lisboa, o silêncio das palavras!
Foi perante um, muito bem e (mais ou menos) supreendente LAV bem composto aquele que recebeu os irlandeses God is An Astronaut inserida na "The Embers Tour" que, além dos novos temas, recorda ainda os 20 anos de "All is Violent, All is Bright". Com pouco (ou nada) a dizer a banda trouxe a Lisboa o Rock progressivo a "raspar" no psicadelismo ou estras plasticidades tais. A música destes irlandeses poderia ser para gente sentada, no sentido em que o desequilíbrio tolda o sentido e a mente percorre paisagens vindas de qualquer lado...de todo o lado. Imersivo, revoltado, urgente. Assim se define o concerto de um trio sem nada a provar mas que prova a cada instante que o "sonho comanda a vida", como dizia o outro.
Na primeira parte, a londrina Jo Quail e o seu violoncelo trouxeram sonoridades pesadas perante uma sorridente, ainda que com o nervoso miudinho de quem, porventura, está habituado a outro público, instrumentista que, com simplicidade, propõe uma experiência além do imaginário da redenção. Palavras leva-as o vento! 

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MADRID, o dia seguinte:

Começando com a prestação de Jo Quail, que preencheu a sua meia hora de concerto tocando apenas três músicas: “Butterfly Dance” e “Embrace” do mais recente álbum «Notan», terminando com a mais antiga “Forge”. A artista a solo apresentou-nos às suas canções e ao seu violoncelo elétrico de um modo algo inesperado. Ao invés de usar faixas de background pré-gravadas, ia construindo as músicas gravando pequenos loops, repetindo-os e acrescentando camadas uma a uma, e assim adensando o ambiente até o climatizar com as melodias principais. Entre faixas, enquanto afinava o instrumento em tons alternativos para a peça seguinte, ia-nos contando praticamente em «discurso directo» o conceito e a história de cada música. Foi uma experiência algo diferente que nos deixou quiçá mais familiarizados com o seu processo musical.

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De seguida, subiram ao palco os irmãos Niels e Torsten Kinsella acompanhados do novo baterista Anxo Silveira. Durante a noite pôde testemunhar-se que o trio irlandês não é apenas um dos pioneiros do post-rock atmosférico, mas uma própria instituição dentro do estilo. Durante o seu concerto, os God is an Astronaut souberam alternar as melodias emocionais com o lado mais poderoso do rock, numa fusão equilibrada de sentimentalismo e energia. Com uma dúzia de discos seria impossível cobri-los a todos, ainda assim a banda tentou abranger a sua carreira tocando temas de cinco deles. O foco esteve no mais recente «Embers», tal como em «All Is Violent, All Is Bright» que celebra este ano o seu vigésimo aniversário. Houve ainda tempo para referências a «Epitaph», «A Moment of Stillness» e ao disco de estreia «The End of the Beginning».

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A actuação em si foi muito dada ao estilo shoegaze com a banda a tocar e a rockar enquanto mirava o abismo existencial a seus pés. O guitarrista Torsten poucas vezes falou ao público, apenas para partilhar detalhes sobre as músicas ou a justificação das mesmas na setlist (incluindo as dedicatórias de “Fragile” ao seu falecido pai Tommy Kinsella, e “From Dust to the Beyond” do álbum de estreia ao anterior baterista Lloyd Hanney). Também em alguns momentos o guitarrista empregou a sua voz ao cantar em músicas como “Suicide by Star”, concedendo-lhe um aspecto mais etéreo. Já o lado mais enérgico da actuação passava pelas contribuições dos dois membros restantes, literalmente experienciando-se o groove a vibrar pelo ar em direcção à audiência que sentia o ritmo na pele. Foi nesses momentos que Silveira, brilhou mostrando o seu toque pessoal que enalteceu e revitalizou os temas. Foi assim agradando ao público, sendo muito bem recebido. Mais para o final do concerto Jo Quail subiu novamente ao palco, onde contribuiu para concretizar a atmosfera das quatro últimas canções. E para terminar, a banda afirmou estar mais velha e menos pretensiosa, tendo tocado o encore, sem, em jeito de cerimónia, ter saído temporariamente do palco.

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