(Reportagem) HELLIVARE - Um pequeno festival de metal no norte da Suécia

A HellHeaven convidou os Dreamslain a relatar a primeira edição do Hellivare, no norte da Suécia. Texto: Igor Jakobsen; Fotos: Stefi Moustaka/ Igor Jakobsen

No dia 26 de Setembro de 2026, o festival de metal Hellivare realizou-se pela primeira vez em Gällivare, uma cidade mineira situada a uma latitude de 67 graus norte, na Suécia. O público foi bastante expressivo, especialmente tendo em conta que a cidade de Gällivare conta apenas com 9.000 habitantes. O coletivo de organizadores locais «GROP – Gällivare Rock and Pop» demonstrou grande ambição ao reunir cinco bandas para actuarem no palco principal, no Grand Hotel Lapland. O evento marcou também o lançamento do álbum de estreia dos cabeças de cartaz We Are To Blame. O guitarrista do grupo, Johan Karlsson, dedicou um enorme esforço para tornar este festival uma realidade — estamos-lhe imensamente gratos por nos ter incluído no alinhamento. 
De seguida, relatamos a nossa experiência no festival, tanto na perspetiva de participantes como na de espectadores.

Como é habitual na cena metal underground, o evento foi, em grande parte, uma iniciativa voluntária. Muitos entusiastas do metal uniram esforços para realizar diversas tarefas: desde transportar o nosso equipamento a partir do carro (muito obrigado; sabemos que levamos uma quantidade considerável de material!) até tratar da venda de produtos da banda e integrar a equipa de palco. Além disso, vários profissionais disponibilizaram o seu tempo voluntariamente ou concederam descontos para prestar serviços no evento. A sonorização e a iluminação ficaram a cargo de profissionais, o que garantiu um excelente som e um visual irrepreensível para as bandas! Havia, inclusive, um engenheiro de som dedicado exclusivamente ao palco — um luxo de que os Dreamslain não usufruíam desde a nossa última participação num festival, há dez anos.

A realização do festival num hotel trouxe-nos muitas vantagens, enquanto banda. Quem precisasse de descansar encontrava quartos muito perto do palco e dos bastidores; além disso, o evento ofereceu refeições de grande qualidade, tanto ao pequeno-almoço como ao jantar — este último partilhado por todas as bandas. Outro ponto extremamente positivo foi não termos de carregar todo o equipamento para o atrelado logo após o concerto; pudemos deixar tudo nos bastidores e retirar apenas na manhã seguinte.
Para além de nós, as restantes bandas eram suecas, sendo a maioria originária do norte da Suécia. Também não fomos a banda que teve o percurso mais longo. A viagem desde Tromsø, na Noruega, demorou oito horas, enquanto os Lysis viajaram durante treze horas desde o sul da Suécia.
Passemos às actuações.

Fomos a primeira banda a subir ao palco e a única a levar a sua própria bateria. No entanto, não vamos escrever sobre nós próprios; deixaremos isso para outra pessoa. Diremos apenas que ficámos muito satisfeitos com a reação do público: embora poucos nos conhecessem de antemão, havia quem fizesse headbanging ao som das nossas músicas.

A segunda banda a atuar foi Erain, um grupo de melodic power metal de Umeå, que apresentou temas que remetem para as bandas clássicas dos anos 90, especialmente as da cena italiana. Destaque para as guitarras neoclássicas, a excelente prestação vocal e uma secção rítmica à altura.
Seguiram-se os locais Reapers Mark, que parecem estar bem inseridos na tradição sueca de melodic death metal. Deram um concerto excelente e cheio de energia, centrado no extreme metal, com alguns elementos de heavy metal.

Depois, foi a vez dos Lysis, banda que lançou o seu álbum de estreia este Outono, mas que já tinha conquistado o seu espaço em festivais por toda a Suécia. Também se enquadram no subgénero do melodic death metal, fazendo lembrar um pouco os Soilwork. Contudo, enquanto o teclista dos Soilwork costuma estar mais contido nos trechos sem teclado, o teclista dos Lysis circula pelo palco e pelo meio do público, animando a plateia durante o concerto.

Os cabeças de cartaz desta noite foram os We Are To Blame, uma banda de modern melodic metal. O concerto assinalou o lançamento do seu primeiro álbum, depois de terem editado vários EPs e singles. Para esta ocasião, trouxeram um coro de quatro cantores para assegurar os backing vocals. Além disso, convidaram os vocalistas de todas as outras bandas para participações especiais em duas das suas músicas, tornando o evento bastante singular — tudo isto complementado por um excelente trabalho de iluminação e efeitos visuais no ecrã de fundo. Tudo isto foi complementado por um excelente trabalho de iluminação e por efeitos visuais no ecrã de fundo. A banda apresentou um espetáculo em que ficou evidente a elevada proficiência técnica de todos os seus membros — algo que, contudo, nunca se sobrepôs à melodia nem aos elementos necessários para transmitir as emoções e as histórias contidas nas músicas.

No geral, foi uma excelente noite, marcada por uma grande variedade de estilos dentro do metal. Esperamos que este festival se realize novamente no próximo ano e que possamos assistir a uma colaboração ainda maior entre o norte da Suécia e o norte da Noruega, com mais bandas a atravessar a fronteira para actuar nos palcos dos clubes e festivais de ambos os lados.

A HellHeaven agradece aos Dreamslain (Takk Igor Jakobsen),  Takk! Stefi Moustaka e à organização do Hellivare (Takk!)

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