O fenómeno Kim Dracula aterrou em Portugal para uma noite de entertenimento que mostrou o passado e (talvez) o futuro da música pesada. Texto e fotos: Nuno C. Lopes

Samuel Wellings é Kim Dracula e, com apenas 25 anos, pode muito bem ser o Diabo da Tasmânia encarnado numa pessoa que é, também um entertainer! São nove e meia em ponto quando, tal pugilista, o músico entra em palco através de uma República da Música muito bem composta. O público encontrava-se já em êxtase sem qualquer nota. Vestido a rigor, depressa o caos se instalou em cima do palco e na sua frente. A fórmula deste australiano parece simples: não há formula! Os músicos que o acompanham não são apenas acessórios, são parte activa de uma amálgama sonora de Metal, Nu-Metal, Rock, Trap e tudo o que vier será sempre bem vindo. Há saxofones, há um baterista frenético! Tudo numa encenação (quase) digna dos anos 90. O público (re)age como pode e deve, o que demonstra bem o sucesso de Kim Dracula. Fruto de uma época deliciosamente macabra! Com apenas 25 anos o músico ostenta uma pose de quem já anda nisto há muito tempo, mesmo que uma semi-versão de "Even Flow" (Pearl Jam) seja um pouco "indigesta", mas nada importa, em cima do palco tudo é entertenimento sem fronteiras! Não se sabe o futuro da banda e, muito menos se prevê o futuro da música, contudo, talvez aqui estejam algumas coordenadas! Passaram pouco mais de 60minutos quando a tempestade termina e, continuamos sem perceber o que se passou mas, quando assim é, quando as reações ficam para depois, ficamos com a sensação de presenciar algo que não é fácil transportar para palavras e, talvez esse seja o maior elogio!
Também australianos, mas a residir nos Estados Unidos, a dupla que dá pelo nome de Vowws vive num outro tempo! Foi o tempo de regressar aos anos 80 e à synthwave de uns Joy Division, aqui mascarados de Death-Pop. Músicas negras, carregadas de misticismo e de uma estética simplista que resulta na perfeição numa noite fria no exterior e que abraça muitos, senão todos, os medos e frustrações!
Foi uma noite de viagem no tempo entre o passado e o que pode, muito bem, ser o futuro de uma música sem fronteiras e, quando assim é, apenas podemos estar felizes pela vida. Lá fora o frio apertava mas, na sala lisboeta a temperatura subiu... e de que maneira!