Dois anos depois da estreia, homónima, os Malignea lançam o segundo disco "A Aldeia"! A apresentação foi tudo o que se esperava...e mais além! Texto e Fotos: Nuno C. Lopes

A primeira nota, menos positiva, vai para a afluência de público! É certo que a data não foi a melhor e, talvez a sala não tenha sido a melhor escolha, contudo, a justificação, ainda que simples, revela um problema maior: e salas para estas bandas? Mas não é disso que se trata este texto e, vamos a factos: os Malignea são uma excelente banda e, ainda que os seus integrantes sejam veteranos na "cena", não se deixam adormecer na sua carreira!
"A Aldeia" é o passo seguinte para uma banda que, com o seu primeiro disco rompeu com o seu passado e, agora, reinventa o seu próprio passado. Isabel Cristina é uma das melhores vozes nacionais e isso fica bem patente logo no início da actuação: teatral, com presença e focada, essencialmente, em não falhar quando lhe é permitido (aquele microfone preso bem tentou!). O público recebe a banda que, em cima do palco, se percebe que quer mais, merece mais. Os lisboetas cresceram e "A Aldeia" é um disco ao nivel internacional, assim como a banda que o produziu! A festa fez-se e os Malignea voltaram em força!
Os suecos Outshine regressaram a Portugal para abrilhantar a noite com os seus temas "felizes"! Um Doom a fazer uns Paradise Lost (mas não só!) e onde houve espaço para regressar aos anos 80 com versões de "Sweet Dreams" (Eurythmics) e "It's No Good" (Depeche Mode), que abrilhantaram uma actuação segura! Ao mesmo tempo, os suecos foram os "azarados" da noite ao ter a actuação amaldiçoada por um problema técnico mas que, não manchou uma actuação segura do trio!
Paula Teles estreou-se, finalmente, em Lisboa! Depois de uma estreia com "Desencanto" a fadista (sim, vou tratá-la desta forma!), trouxe o EP "Entre Paredes", e uma sonoridade própria, original e feita com a honestidade segura de quem sabe o que segue. Era notório o olhar emocionado da fadista, o orgulho, a força das palavras que se soltabam além do nervosinho que, certamente, lhe fervia o sangue. Paula Teles é uma fadista, mas não daquelas que reinventa o Fado para o destruir, a fadista usa o Fado como uma extensão de si, uma extensão de nós. E nós queremos mais de Paula Teles na exata medida em que ela quer mais de nós!