Noite de enchente no RCA, em Lisboa, para o reencontro com os irlandeses Primordial. Se expectativas existiam, elas foram largamente excedidas e sim, não houve espaço para meios termos. Texto e Fotos: Nuno C. Lopes

Com mais de três décadas no activo, estes irlandeses continuam fieis e iguais a si próprios, e isso "só" faz deles uma das mais imponentes bandas ao vivo. Dizer que os holofotes estão todos em A.A Nemtheanga é apenas falso, até porque, ainda que o "linguarudo" vocalista assuma o destaque, pela imponência, provocação e imagem, todos os restantes elementos percebem bem que são compostos de uma identidade maior que a vida.
Os Primordial são os senhores da guerra que emergem da terra para nos afundar em sons feitos em tons sangrentos, de historias de outros tempos e terras. Durante os cerca de 90minutos que os irlandeses estiveram em cima do palco existiu tempo para tudo, até para o tempo parar e um "engraçadinho" tentar atirar A.A do palco ("a sério,man?)! Em resumo, foi mais uma prova de que estes Senhores, além de uma grande carreira, conseguem ser fiéis à sua identidade sem se perderem dentro dela e alimentam-na com o culto que geram à sua volta, o que "só" faz deles maiores que qualquer vida!
Antes, os portugueses Sinistro e Music in Low Frequencies, deram boa conta de si próprios, sabendo o lugar que ocupavam na noite lisboeta. Se os primeiros mostraram que Priscila da Costa está mais integrada que nunca, fazendo esquecer, a antecessora Patrícia Andrade, e com uma actuação que tanto deve a introspecção como contemplação, os bracarenses foram um aquecimento a meia luz, com o seu Doom profundo, quente e imersivo. Duas actuações que souberam "aquecer" a sala lisboeta! Uma grande noite, mais uma, no RCA, e quando assim é, ninguém sai insatisfeito!