Há discos que se ouvem. "Nowhere Speaks" exige ser vivido. O sétimo registo dos belgas Emptiness recupera o fio deixado em "Nothing But the Whole" (2014) e mergulha, sem hesitações, num universo onde a luz nunca teve lugar. Um riff inquietante abre as portas para um labirinto de tensão, dissonância e beleza sombria, onde cada tema parece dissolver as fronteiras entre a música e a vertigem.
Longe de fórmulas ou concessões, os Emptiness entregam dez composições que desafiam a lógica, recusam um destino previsível e fazem da experimentação a sua linguagem. O resultado é um álbum desconfortável, viciante e estranhamente sedutor, que transforma o negrume numa arte refinada e confirma a banda como uma das propostas mais ousadas da música extrema contemporânea. No fim, resta apenas uma certeza: resistir ao botão de repeat é uma batalha perdida. Texto: Nuno C. Lopes