A ID.Entity trouxe de volta, após cinco anos, os polacos Riverside a Portugal, que teve direito a dois concertos, sendo que a HellHeaven esteve na data em Lisboa e, ficaram mais dúvidas que certezas. Texto e fotos são do Nuno C. Lopes.

Os Riverside têm um problema que, ao mesmo tempo, é a sua maior solução. Isso fica bem provado numa sala lisboeta, bem composta, que recebeu os polacos de uma forma amena como só o Rock Progressivo consegue fazer.

Ao contrário da última passagem por Lisboa esta tour é menos luminosa, chegando ao ponto de parecer intimista, não só pelo palco “despido” ou por uma iluminação mais frágil.
Mas, parece sempre faltar qualquer coisa neste quarteto que, nunca o esconderam, são uma espécie de Porcupine Tree versão, não tão melhorada, 2.0 e não só pela sonoridade mas, também, pelas parecenças físicas de Mariusz Duda com Steven Wilson!

Ao longo da actuação, instrumentalmente bem conseguida e por onde passaram temas como “Big Tech Brother”; “02 Panic Room” ou, a inevitável, “We Got Used To Us”, tocados como só a perfeição exige. Mas, depois falta o outro lado, parece, ao longo de todo o concerto existir uma certa, digamos, falta de dinâmica em palco, com todos os holofotes presos em Duda que, com a companhia constante de Michał Łapaj (sempre animado e vibrante escondido atrás das sua teclas!), e ficamos por aí. Com a restante banda “presa” no seu espaço, apenas em breves momentos sai da sombra como se (quase) necessitasse de uma qualquer autorização especial. É aí que chega a memória de Piotr Grudziński (RIP) que, ainda que contido, transbordava energia e, permitam-me Maciej Meller não é mau guitarrista, mas não é o malogrado antecessor.

Os Riverside estão numa encruzilhada, no entanto, ainda bem que correm em busca da sua identidade, contudo, desta feita, a imagem que fica dos polacos é de uma banda que parece confortável no lugar que ocupa, como aliás Duda faz questão de referir num dos, mais longos do que o necessário, discursos. Mas, há uma coisa que temos a certeza, os Riverside terão, ainda, que ser menos Steven Wilson e mais Riverside.

A abrir a noite os neerlandeses Lesoir foram uma boa surpresa. Bem recebidos por público a banda teve uma actuação em que se deu a conhecer perante um público que, também, é deles. Ao contrário dos cabeças-de-cartaz os Lesoir foram energia, dinâmica e simpatia. A música é uma espécie de encontro multi-cultural e de géneros que parece confluir para um mundo onde nos deixamos prender sem dar conta. Ficou na memória o tema “Dystopia”, mas o quinteto deu boa conta de si.
O Rock Progressivo está bem e recomenda-se e esta noite, ainda que, com todos os momentos bons e menos bons, foi a prova disso.