O RCA desceu até às catacumbas e, guiados pela penumbra foram guiados até à sombra da Humanidade. Texto e Fotos: Nuno C. Lopes

Foi com uma pontualidade (quase britânica) que o quarteto eborense Process of Guilt subiu ao palco da sala lisboeta. À sua espera estavam cerca de uma centena de almas em busca da redenção. Como sempre a banda permite a que a sombra seja o seu guia e, numa actuação, essencialmente assente no mais recente "Slaves Beneath the Sun", mostrou, novamente, a sua qualidade e não deixou os seus créditos caírem mãos alheias e o quarteto nunca se apresenta em má forma, prova disso mesmo são temas como "Host", "Scars" (ambas do último álbum), ou ainda no regresso a "Black Earth" em "Hoax". Os eborenses são uma prova de resiliência e evolução.

Já antes os Wells Valley haviam trazido um Post-Doom apocalíptico, que deve muito a uns Cult of Luna, e que não se fizeram rogados e, não fosse um final abrupto pela "morte" de um amplificador e haveria algo mais a dizer, no entanto, o trio lisboeta está no topo da sua forma e a provar isso mesmo está aí "Achamoth" para dissipar qualquer dúvida.

De Setúbal para o caos o, agora, trio que dá pelo nome Murro é pura devastação caótica sem qualquer melindre. Hugo Cão, qual profeta da desgraça alheia, é o porta-voz de jm certo mal estar que nos dá a volta ao estômago e vomita palavras de ordem e revolução a cada tema. Não só abriram a noite como mostraram que a canção é uma arma. Será que alguém sentiu a falta do baixo?
Esta foi uma noite de revolta, de descidao à podridão que nos enfraquece mas foi, também, uma noite para expiar o pecado e a tormenta.