HellHeaven: Olá, e parabéns pelo novo álbum «Still». Como se sentem em relação a ele? Quais são as expectativas?
Olli: Olá, e obrigado! Expectativas? Sinceramente, não sei. Gostaria que sentissem a música e a letra. Soa a Finsterforst, mas alterámos um pouco o nosso som, no que nos parece uma progressão natural. Estamos muito satisfeitos e orgulhosos de «Still». A resposta ao single “Stille Nacht” tem sido muito boa. As pessoas parecem gostar da música e o vídeo toca-as profundamente. Exatamente como pretendíamos.
HellHeaven: Outro motivo de celebração são as vossas mais de duas décadas de actividade. Que altos e baixos recordam desta carreira?
Olli: Boa pergunta! (risos) Não houve nada realmente mau e não tenho arrependimentos, mas há momentos melhores que outros. Fiquei desiludido por muitos não perceberem que «Yølø» não foi concebido como um álbum comum. Altos houve tantos: tocar em festivais (Wacken, Summerbreeze, etc), na China, os milhões de visualizações de «Mach Dich Frei», etc. Muitas memórias que nunca poderia contar aos meus filhos! [risos]
HellHeaven: A banda tem mantido uma formação relativamente fixa. Qual é o vosso segredo?
Olli: Amizade. Antes de mais somos amigos e só depois banda. Há discussões e momentos difíceis, mas o companheirismo é real. Em caso de emergência, todos eles estão na minha lista de contactos prioritários.

HellHeaven: Misturam muitos elementos diferentes e descrevem o vosso som como "Black Forest Metal". Esta classificação serve para definir uma direção, ou pelo contrário, para vos dar liberdade?
Olli: Temos um som muito próprio, que é só nosso. Mas, dentro deste universo, a ausência de um rótulo específico dá-nos total liberdade. Desde que gostemos, tudo vale. No meu caso, noto isso ao escrever letras. Nada é proíbido. Já escrevi sobre temas sociológicos, a natureza, ou simplesmente contei histórias.
HellHeaven: “Finsterforst” significa “Floresta Negra”, pelo que presumo que o rótulo “Black Forest Metal” não seja uma coincidência. Falem-nos mais acerca deste termo e da sua origem?
Olli: É um trocadilho por sermos da região da Floresta Negra. Surgiu internamente quando lançámos «Rastlos». A descrição enquanto Folk ou Pagan não nos parecia adequada, apesar de existir uma ligação. Por outro lado, a Napalm Records ainda nos promovia como Folk e Pagan. É algo curioso, pois só mais recentemente é que começámos a ser questionados sobre “Black Forest Metal” e o que significa para nós.
HellHeaven: Com a existência atual de tantos (sub)géneros, quão a sério levam que os rótulos?
Olli: Penso que são apenas uma orientação antes de ouvires uma banda pela primeira vez e apenas isso. Há muita música e as pessoas precisam de ter uma ideia de como soas. Pessoalmente, não me importam. Gosto da música ou não, independentemente do género.

HellHeaven: Uma coisa interessante sobre «Still» (mas não exclusivo dele) é como combinam os diferentes elementos. Não há um forte contraste ou mudanças abruptas. Como fazem esta integração?
Simon: Quando componho uma música tenho algo em mente: uma atmosfera, um sentimento, etc. Depois, trabalhamos no Iguana Studios com Christoph Brandes e encontramos sempre uma boa combinação dos diferentes elementos. É algo que se desenvolve automaticamente, fundindo-se num único som. É muito trabalhoso e exige muita energia, mas vale a pena para criar música tão versátil.
HellHeaven: Apesar dos elementos folk, não parecem muito focados num passado nostálgico, mas sim numa escala temporal mais ampla. O uso dos teclados, por exemplo, ajuda a criar uma atmosfera que combina passado, presente e futuro. Isto era algo intencional?
Olli: É interessante sentires isso. Acho que nunca pensámos em representar um tempo específico. Honestamente, não nos importamos com isso. Só queremos que tudo soe grandioso e imponente.
Simon: O Tempo e Espaço são difíceis de compreender. Fico meio maluco só de pensar nisso! [risos]. Como disse o Olli, queremos só garantir que a música soe grandiosa: pesada, ampla, profunda, intensa, bela.
HellHeaven: Muitos dos vossos álbuns têm uma música longa. Em «Still», é o caso de “Leere” que encerra o álbum. Podem falar um pouco sobre o processo criativo por trás dela?
Simon: Não planeio a duração exacta das músicas, mas estava claro que queria incluir uma mais longa. Embora outras faixas sejam mais curtas e mais fáceis de “entender”, quis terminar o disco (como é hábito) com uma mais intensa. E claro, foi bastante difícil compor “Leere”. Até me perguntei por que raio tinha de compor uma faixa tão longa outra vez. [risos] Mas após longas noites a terminar este monstro, valeu a pena.
Olli: O tema lírico foca-se nas pessoas que se exibem com grandiosidade para o mundo exterior, mas por dentro são muito tristes e solitárias. É uma representação do mundo moderno. Todos se acham especiais nas redes sociais, mas à escala universal somos todos insignificantes grãos de poeira. Honestamente, 99.9% das coisas que fazemos nem importam no dia seguinte, mesmo na nossa própria bolha.
HellHeaven: As letras continuam em alemão, combinando-se bem com o conceito da banda. Quando tocam onde não se fala alemão, notam diferenças na ligação do público com as músicas?
Olli: Em termos de entusiasmo em frente ao palco, não há grande diferença. Mas, claro, tens conversas diferentes com quem percebe (e, por vezes, interpreta mal) as letras.
Simon: Acho que não importa onde estamos ou a língua. O mais importante é a música tocar a alma e o cérebro, e provocar emoções específicas.
HellHeaven: Colaboraram com o coro Black Forest neste álbum. O que podem dizer acerca disso?
Simon: Queríamos dar um toque especial às partes corais. Há uns anos, vi uma peça de teatro (misturada com musical) em Friburgo. O coro era incrível. Não conseguia tirar a música da cabeça. Descobri que era o Florian Bischof quem dirigia vários coros na região e entrei em contacto com ele. Falei-lhe de nós e ele, entusiasmado, aceitou ajudar-nos. E isto foi apenas o início... talvez algo muito maior esteja para vir.
HellHeaven: Pär Olofsson tratou da arte de discos anteriores, mas agora, trabalharam com Yaroslav Gerzhedovich. O que vos atraiu no seu trabalho e o que fez dele o artista certo para «Still»?
Olli: Na verdade, ele já tinha feito a capa de «Jenseits». Gostámos do estilo dele e achámos que combinava com os lançamentos. Depois de escritas as músicas e letras, discutimos e analisámos vários artistas. O Yaroslav tinha a imagem no seu site e era a ideal. Pedimos-lhe também uma contracapa adequada que ficou genial. Quanto ao Pär, também adoramos o seu trabalho, e talvez voltemos a trabalhar com ele no futuro.
HellHeaven: Na vossa evolução, diriam que «Still» é um dos discos mais grandiosos e ambiciosos?
Olli: Sim e não. Acho que ainda nada supera a ambição do «Jenseits», que começou com "Vamos fazer um EP de uma música só, com cerca de 40 minutos". Tirando isso, com certeza. Para nós não faria sentido fazer um álbum se não sentíssemos que fosse o nosso melhor.
HellHeaven: Até incluíram covers, não um, mas dois: "Beyond the North Waves" de Immortal, e "Another Brick in the Wall Pt. II" de Pink Floyd. Falem-nos destas escolhas?
Simon: A de Immortal simplesmente combina com a nossa música – é épica e tem um toque mais lento. E como a maioria de nós tem uma certa ligação com a banda, a escolha foi óbvia. Já a de Pink Floyd foi um pouco experimental. Queríamos usar um clássico de rock e acabámos por escolher esta.
HellHeaven: "Still" foi lançado a 31 de julho. O que estão a planear? E depois, vão sair em digressão? Se sim, haverá alguma hipótese de vos ver em Portugal?
Olli: Faremos um concerto de pré-lançamento em Freiburg e outro no fim de semana do lançamento no Wacken. Depois disso, haverá uma pausa, pois temos famílias e empregos normais. Por isso ainda não há planos de digressão. Adoraríamos ir a Portugal! Temos uma nova agência de espetáculos, a Dragon Productions, e vamos ver o que acontece.
HellHeaven: Por fim, que mensagem deixam aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?
Olli: É pena nunca termos conseguido tocar no vosso belo país. Estamos mais do que dispostos e prontos para tocar aí. Falem com os vossos promotores! E claro, obrigado pelo vosso apoio ao longo dos anos! Sabemos que há fãs de Finsterforst em Portugal.
