(Entrevista) OUTSHINE - “A inspiração está à nossa volta, todos os dias e a todo o momento”

Os Outshine celebram 30 anos e lançaram «Truthsayer», o quinto álbum. Motivos para conversar com o baterista Robert Petersson. Entrevista: João Gama.

HELLHEAVEN: Olá, e parabéns pelo novo álbum «Truthsayer». Há ainda outro motivo de celebração que são os vossos 30 anos enquanto banda. Como se sentem em relação a todas as vossas conquistas? É algo com que sempre sonharam ou imaginaram?
Rob: Na verdade, sim. Desde o início, o foco principal e a motivação sempre foram chegar onde estamos agora, musicalmente e como banda. Dito isto, nunca se consegue imaginar ou sequer prever todas as coisas incríveis que acontecem ao longo do caminho, como conhecer pessoas fantásticas, fãs e outros músicos, e todos os momentos divertidos e insanos que vêm com isso. É uma verdadeira bênção.

HELLHEAVEN: Vocês são uma banda que se mobiliza em defesa de todos, uma mobilização que, de certa forma, ecoa a de outras bandas que surgiram na cena dos anos 90. E, no novo álbum, mantêm um claro posicionamento social com canções como “World Ending Fascists”. Como vêem a importância desta postura crítica e inclusiva nos dias de hoje? Acham que a música ainda tem um papel relevante para além do entretenimento?
Rob: Definitivamente. Mas não vejo isso como apontar o dedo, como fazem as celebridades ricas e os políticos estúpidos. Ambos se escondem atrás de muros em enormes mansões e não têm nada em comum com as pessoas comuns. Por que razão nos deveriam dar lições então? O «Truthsayer» não se trata disso, mas sim de união e de encontrar pontos em comum entre as pessoas comuns que lutam diariamente para sobreviver neste mundo de mentiras e corrupção. Somos todos iguais, não nos devemos deixar dividir pelos media, pelo governo ou pelos extremistas de qualquer ideologia, mas sim perceber que não estamos sozinhos e que juntos somos tão fortes como aqueles que nos tentam conquistar, dividir ou separar.

HELLHEAVEN: Durante a vossa longa carreira, acumularam muitas histórias, incluindo conflitos com o fisco e ameaças de morte. Em retrospectiva, que momentos destacam como os melhores e/ou piores?
Rob: Acho que estas coisas se entrelaçam e fazem com que cada conquista posterior seja ainda mais marcante. Por exemplo, conseguir vencer a Receita Federal, sair do fundo do poço em que estávamos, sermos forçados a retirar um álbum completo por causa de conflitos internos na banda e ainda assim conseguirmos reerguer-nos, gravar um novo disco e fazer uma digressão, torna isto um grande feito, mesmo considerando todos esses contratempos.

HELLHEAVEN: «Truthsayer» é o vosso quinto álbum, que carrega a identidade sonora gótica/alternativa característica da banda. Passado todo este tempo, o que ainda vos inspira a compor? Como vêem a evolução da banda?
Rob: A inspiração está à nossa volta, todos os dias e a todo o momento. Haverá sempre algo sobre o que escrever quando se trata da vida quotidiana, porque a vida permanece aí, com todas as dificuldades que a acompanham, sejam elas relacionadas com o trabalho, relacionamentos, meios de comunicação tendenciosos e assim por diante. Mas como é que os Outshine vão evoluir? É difícil dizer, teremos de deixar isso em aberto e ver o que acontece.

HELLHEAVEN: O novo álbum tem um tom bastante melancólico e nostálgico. Como o descreverias aos fãs por palavras tuas?
Rob: O álbum é um reflexo dos tempos em que vivemos, mas também mostra que coisas boas podem estar para vir se acreditarmos em nós próprios e conseguirmos ultrapassar todas as tretas que nos são impostas. NÃO estão/estamos sozinhos!

HELLHEAVEN: «Truthsayer» está quase a sair. Quais são os planos para depois disso? Ir em digressão?
Rob: Sim, estamos a planear uma festa de lançamento para o álbum e, no início do Outono, vamos voltar a atravessar o oceano para uma digressão pelos EUA.

HELLHEAVEN: No ano passado, fizeram uma digressão com a banda portuguesa Malignea e tocaram em Lisboa. Quais são as memórias que guardam desses momentos?
Rob: Ah, nós adoramos esses tipos! Divertimo-nos imenso a tocar em Lisboa, e que cidade linda! Fomos muito bem recebidos. Divertimo-nos muito juntos. Uma memória engraçada que me marcou foi quando nós, Outshine, combinamos ir comprar refrigerantes e pequeno-almoço e acabámos por contratar um tuk-tuk, tipo guia turístico, por cerca de 100 euros para nos levar de bar em bar até conseguirmos as compras. Depois, fizemos o mesmo de volta para o hotel [risos]. Fizemo-lo esperar à porta de praticamente todos os bares do centro de Lisboa.

HELLHEAVEN: E há alguma hipótese de voltarem a Portugal em breve?
Rob: Com certeza! Gostaríamos muito de voltar a Portugal o mais rapidamente possível.

HELLHEAVEN: Por fim, que mensagem deixam aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?
Rob: Espero que tenham achado esta entrevista interessante. Até breve. “Obrigado”.

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