(Entrevista) SOULBURN - "As pessoas às vezes esquecem-se do trabalho que dá fazer um disco"

Com "Quantifying Cosmic Doom" já editado, Eric Daniels e Twan van Geel conversaram com Nuno C. Lopes sobre a evolução dos Soulburn, a ousadia do novo álbum, o seu conceito e a vont

HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns por “Quantifying Cosmic Doom”! Quais são os vossos pensamentos e expectativas em torno deste lançamento?
Eric Daniels: Obrigado, Nuno! Os nossos pensamentos sobre este lançamento são simples: sentimos que escrevemos e gravámos e trabalho forte, coeso e que representa bem onde estamos actualmente! Ficou ainda melhor do que estávamos à espera e isso deve-se às pessoas que nos ajudaram a dar vida ao disco e, para eles, o nosso obrigado! O Eriwin Hermsen entregou o trabalho como era o nosso objectivo, com a sua experiência moldou o disco de forma poderosa e orgânica! As nossas expectativas são sempre altas, ainda que nunca se saiba como um disco será recebido, especialmente quando gastas tanta energia e tempo nele! As pessoas às vezes esquecem-se do trabalho que dá fazer um disco, e falo em nome de todos os artistas que sabem isto na primeira pessoa! 

HellHeaven: O novo disco traz uma diferente abordagem do que estamos habituados a ouvir nos Soulburn, qual foi o desafio e o objectivo principal neste disco?
Eric Daniels: Sim, tens razão! Não nos sentimos na obrigação de criar o mesmo estilo em cada disco! Claro que a sonoridade Soulburn está no disco! Tocamos a música que pensamos ser excitante e isso inclui todas as nuances! Os novos temas surgiram naturalmente e a música acaba por ser diferente dos álbuns anteriores! Não queremos estar sempre a “pescar” no mesmo “lago”, se assim fosse estaríamos sempre a gravar o mesmo disco! Somos versáteis e gostamos de ser assim! Também nos aproximámos mais das vozes e a ligação entre as vozes extremas e limpas estão mais presentes no disco! O objectivo passa sempre por nos renovarmos enquanto músicos e não termos uma fórmula específica e, com o novo álbum quisemos criar música, na sua forma mais completa e, por isso, o “Quantifying…” soa diferente dos álbuns anteriores!

HellHeaven: Isso quer dizer que, para este disco sentiram necessidade de trazer esses novos “ingredientes” para o som dos Soulburn?
Eric Daniels: Absolutamente! Já sentimos isso quando estávamos a escrever o disco! Começámos da mesma forma, através de demos feitas em Cubase e, através desses trechos, o Twan sentiu que as vozes limpas tinham que aparecer, foi algo que lhe surgiu de forma instintiva, como se os temas lhe apontassem esse caminho, dessa forma ficou claro que íamos levar as coisas mais longe do que tínhamos feito no “Noa’s D’Ark”, lançado em 2020! Quisemos que este disco apontasse para um lado mais emocional, com uma palete mais abrangente e sem medo de arriscar! É uma abordagem diferente mas, ainda assim, continuas a ouvir as raízes que plantámos no disco de estreia em 1996, essas fundações nunca desapareceram mas já passaram quase três décadas e as pessoas mudam e os músicos ainda mais! Os interesses mudam, os gostos musicais evoluem e crescemos para novas formas de expressão. Este disco reflete isso mesmo: a coragem de expandir, evoluir enquanto carregamos o espírito de Soulburn que está connosco desde inicio.

HelHeaven: Algo que salta à vista é a forma como a história é contada, o que amplifica o enredo. Qual o conceito de “Quatifying Cosmic Doom”?
Twan van Geel: Diria que o conceito e a história deste disco é a coragem! Pensei sobre isso, e ainda penso, na forma como o conceito ecoa em tantos aspectos, da mesma forma que muda de um significado interno para externo, dependendo de como te sentes e de quão fundo queres mergulhar na matéria negra que o sustenta! Por exemplo, pode ser com lidar com depressão e ansiedade por coisas fora de mão, estar perdido e isolado numa multidão e de como superar esse ruído e sujeira que te empurra para baixo! Ao mesmo tempo, literalmente, também significada antecipação ao fim do universo e existência como a conhecemos. Uma coisa tive a certeza, que estas canções eram massivas e com camadas de detalhes deliciosos, com uma profundidade filosófica! Não diria que o disco é conceptual, ainda que o seja de certa forma, por isso o fiz com capítulos d eforma ser uma obra completa. A ligação que quis criar foi a de tudo é um universo em si mesmo, independentemente da forma como fazes a viagem. Toda a existência a que nós, humanos, decidimos chamar “tempo”! Tudo reside para lá das nossas limitações mentais e é aí que gosto de ir quando escrevo e a música da banda leva-me até lá. 

HellHeaven: Com o disco já nas lojas quais são os planos para o promover ao vivo? Nunca estiveram em Portugal, será esta a altura certa?
Eric Daniels: Sim, vamos para a estrada de certeza! Em Outubro vamos embarcar numa digressão pela Europa com os noruegueses Mork, que voltamos a encontrar desde a digressão pela América de Sul em 2022! É uma ligação profunda! Infelizmente ainda não vamos a Portugal e estamos desapontados com isso, genuinamente! Esperamos que no futuro possamos ir aí dar um, ou vários concertos, até porque queremos levar o espírito Soulburn aos nossos fans portugueses! Honestamente, seria o momento ideal: novo álbum, nova energia e um desejo forte para tocar para vocês! É um desejo que temos há muito tempo e está na nossa lista de países que queremos conquistar!

HellHeaven: Qual será o próximo passo para os Soulburn? Existe algo que gostassem de fazer?
Eric Daniels: O próximo passo é a digressão pela Europa! Estamos a criar uma nova setlist e a preparar tudo de forma exaustiva, que, claro, faz parte do processo e é algo que abraçamos na sua plenitude! Depois disso teremos de ver o que se irá cruzar no caminho e, quem sabe, possamos começar a dar forma, cuidadosamente, de material novo! Mas primeiro vamos usufruir do lançamento do “Quantifying Cosmic Doom”, que é um disco que merece e os fans merecem pelo tempo de espera! 

HellHeaven: Qual a mensagem que deixam para os fans portugueses?
Eric Daniels: Apreciem o novo disco e quermos agradecer todo o apoio ao longo dos anos, vocês são os melhores! Esperamos ir a Portugal em breve e dar-vos o melhor que Soulburn carrega! Queremos muito levar-vos connosco pela escuridão cósmica até ao desconhecido, onde a nossa música respira e se alimenta! 

0