“Before Whom Evil Trembles” é o segundo disco dos germânicos Apep e a estreia da banda pela War Anthem Records! Praticantes de um Death Metal oldschool mas não se ficando por aí, a banda é uma lufada de ar fresco no género! A HellHeaven esteve à conversa com Christopher (vocalista) e Olli (guitarrista) da banda. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns por “Before Whom Evil Trembles”. Quais são os pensamentos e expetativas em relação ao álbum?
Christopher: Obrigado pelo convite! Não podemos dizer que temos uma expetativa em relação ao álbum! O tempo foi o correto e existiam muitas ideias na cabeça para o “Before Whom Evil Trembles”! Claro que esperamos que as pessoas gostem tanto do álbum como nós gostámos de o criar!
HellHeaven: A banda formou-se depois da dissolução dos Carnage, o que vos levou a criar esta banda e, para quem não vos conhece, o que nos podem contar sobre o vosso percurso?
Christopher: Somos uma banda de Death Metal de Zwickau, na Alemanha Saxónica! Depois da separação dos Carnage, em 2016, decidimos que queríamos fazer algo com uma direção mais técnica mas com as raízes no oldschool, por isso o Merli, o Olli e eu decidimos formar os APEP! Começámos a gravar os primeiros e lançamos a demo em 2017, pouco depois o Phillip juntou-se a nós e o trabalho para o “The Invocation of the Deathless One” começou! Ainda que, devido à pandemia, existissem algumas batalhas conseguimos dar alguns concertos depois dos confinamentos e deixar a nossa marca na cena Death Metal local! E agora cá estamos, com o nosso segundo álbum! (risos)
HellHeaven: O vosso nome é misterioso o suficiente para deixar o ouvinte curioso sobre o seu significado. Qual a origem e qual o conceito em torno da banda?
Olli: “Apep” é a antiga palavra egípcia para “Apophis” , o Deus que encarna a escuridão e a desordem, mas, vou entrar em mais alguns detalhes (risos): Apophis é o único Deusa egípcia que não tem um culto, um templo ou rituais e não está apenas associado à dissolução, escuridão ou caos. No imaginário ancestral egípcio os doentes pegam no papel do Deus do Sol quando ele chega a Duat, o underground egípcio e aí ele tem que lutar contra Apophis na forma de uma cobra gigante feita de pedra de forma a que, simbolicamente, restaure a criação do Mundo. Apophis eleva-se por nada mais do que a aniquilação e o caos primordial. Se ele ganhar a luta isso significa o fim do Mundo, da criação e do universo! Pensámos que este nome encaixa no conceito da banda em todos os sentidos: as nossas letras dominantes assim como a nossa música feita de Puro Death Metal.
HellHeaven: Falavam há pouco do primeiro álbum que teve, de facto, uma excelente aceitação, isso surpreendeu-vos? Com essas reações em mente, elas vieram criar alguma pressão para este disco?
Christopher: O “The Invocation of the Deathless One” teve um mau timing! Passado um mês de ter sido lançado, sem editora, chegou a pandemia e isso trouxe muitos concertos cancelados e isso levou a uma situação muito frustrante! De qualquer das formas foi muito positivo ver a forma como o álbum foi recebido e ajudou-nos bastante nesse período! O feedback positivo não trouxe qualquer pressão, pelo contrário, acabou por trazer motivação para escrever um disco que estivesse ao nível do primeiro ou que pudesse ser ainda melhor!
Olli: Falo por mim, apenas, mas com o primeiro álbum queria expressar as minhas ideias musicais e, para ser sincero, fiquei surpreendido por ter chegado a tantos fans espalhados pelo Mundo! Estava motivado para refinar as minhas ideias para novas canções e tenho de dizer que a pandemia acabou por ser, uma espécie de, catalisador! Por um lado foi altamente frustrante, porque tudo o que girava a nossa vida foi mandado abaixo, não tivemos oportunidade de promover o disco ao vivo durante meio ano mas, por outro lado, acabei por ter tempo de sobra porque onde trabalho também fechou, assim como todos os bares (risos!), por isso passei muito tempo a escrever novos temas porque não havia mais nada para fazer! A pressão é uma coisa fútil e não podia trabalhar mais depressa mas, ao ouvir a nossa música, acho que elevámos a fasquia no que à qualidade diz respeito!

HellHeaven: “Before Whom Evil Trembles” é a estreia pela War Anthem Records (e com uma editora). Quais as diferenças e como se sentem nesta nova “casa”?
Chistopher: Entrar em detalhes com o Tobi e o Jarne da War Anthem foi fantástico e, no fim, revelou ser um sucesso! Estamos muito felizes por estar nesta editora! As grandes diferenças, se compararmos com um lançamento independente, são, claramente, o nível de profissionalismo e a experiência de uma label. Fazer tudo sozinho é uma tarefa exaustiva, por isso este apoio profissional é um grande passo para a frente e que nos ajuda bastante! Cumprimos todas as obrigações em todo o processo de gravação do disco e foi satisfatório ter a editora a tratar de outros assuntos, basta pensar no layout para todos os formatos, a distribuição, promoção… podes imaginar o trabalho que tem de ser feito!
Olli: Actualmente tudo é acerca de promoção e redes sociais e isso é algo que consome muito tempo e ter alguém que faça grande parte dessa trabalho por ti facilita muito! Ao mesmo tempo permite que estejamos focados na música e em relações publicas, como esta entrevista, por exemplo!
HellHeaven: Ainda que o vosso Death Metal seja, assumidamente, oldschool parece que querem trazer algo mais ao género. Que influências tentam trazer para os Apep e qual o desafio que colocam a vocês enquanto banda?
Christopher: Claro que o Death Metal clássico é a nossa maior influência mas, por outro lado, e falando apenas por mim e pelo Olli, o Death Metal Técnico também é algo que nos impressiona. No primeiro disco fomos, várias vezes, comparados com Nile e o objectivo para o “Before Whom Evil…” foi criar algo mais distinto e mais distante das comparações com Nile.
Olli: Podemos dizer que tentamos extrair o melhor de cada um de nós durante as gravações. O meu desafio pessoal passa por trabalhar arduamente para melhorar a minha aptidão na guitarra e desenvolver novos riffs! Mesmo para mim, a forma de escrita não tão convencional é sempre um desafio entusiasmante! Na generalidade o som da banda é descrito como oldschool mas, ao mesmo tempo, as influências são variadas e vindas de outros artistas, podia nomear algumas bandas mas acho que percebes onde quero chegar! (risos) O objectivo é sempre o de criar um som único combinando todas as nossas influências e acho, sinceramente, que estamos a fazer isso cada vez melhor!

HellHeaven: Nos últimos dias fomos surpreendidos por um movimento a tentar cancelar os Cannibal Corpse, que é algo que se poderia prever mas que acaba por surpreender. O que é que isso nos diz da sociedade actual? Para o Death Metal, enquanto género, quase que podia dizer que é uma excelente publicidade gratuita. O que têm a dizer sobre isto?
Christopher: Faz parte da natureza dos Cannibal Corpse provocar com a sua música extrema e com as letras brutais e é por isso que andam aí há décadas e faz-me pensar porque continuamos com estes debates e campanhas! Para ser honesto, e esta é a minha opinião deveríamos cancelar esta “cancel generation” que são uma merda! (risos)
Olli: É ridículo! Olha para a cena e vê a quantidade de bandas que utilizam os mesmos tópicos nas letras! Vamos cancelar essas bandas todas? Isso seria o mesmo que cancelar todos os filmes de terror, mas qual o motivo? As pessoas agora valorizam as suas sensibilidades mais alto que os restantes e esperam que o resto da sociedade mude tendo em consideração essa imposição! Como o Christopher disse, o melhor é ignorar essa malta! Temos que nos manter unidos e não dar audiência
a essa gente!
HellHeaven: Este tipo de situações acentuou-se após a pandemia e, parece, que estamos a assistir à decadência das sociedades e a ver o nosso falhanço e com uma atitude muito “comigo ou contra mim”. Por onde passa a solução?
Chistopher: Estou completamente de acordo contigo! Algo de muito estranho aconteceu na sociedade nos últimos quatro anos e a pandemia foi o catalisador disso, é frustrante! O Mundo parece mover-se cada vez mais rápido e as pessoas estão cada vez mais descuidadas! Pode ser complicado “resolver” isto mas todas as pessoas tem de se começar a controlar! Talvez não seja algo óbvio como desligar os telefones ou não estar sempre online, talvez as pessoas devessem de ler mais ou estar mais em contacto com a Natureza!
Olli: Às vezes sinto que que as pessoas estão cada vez mais estúpidas, a cada dia que passa! Já viste um filme que é o “Idiocracy”? Se não viste devias de ver! (risos) Era suposto ser uma comédia mas, na última década, transformou-se num documentário! Como disse há pessoas que se julgam mais importantes que outras, quando na verdade como apenas pessoas ordinárias num planeta cheio de outras pessoas! Toda a gente se deveria preocupar em fazer o melhor das suas vidas consoante as suas possibilidades e, se pudesse dar uma dica sobre coexistência social seria: se toda a gente se comportasse de forma a respeitar todos os outros e os seus estilos de vida e pontos de vista muito poderia ser conquistado.
HellHeaven: O que têm a dizer a todos os que (ainda) não vos conhecem e qual a mensagem que deixam para os Metalheads de Portugal?
Christopher: Para todos os que não nos conhecem preparem-se para ser engolidos pelo aniquilador Sekmeth! Esperem nada mais doq eu Death Metal furioso e uma tempestade que vos vai arrancar a cabeça!
Olli: Se estão à procura de Death Metal oldschool na onda de Nile ou Morbid Angel, com algum tecnicismo devem de nos dar uma oportunidade! Quero agradecer, novamente, o convite e espero que todos gostem do novo álbum! Mantenham-se fieis a vocês próprios e vamos, certamente, ver-nos um dia!