BALTUM - "Não criamos música para nos identificarmos com um estilo específico" (Entrevista)

Aeternum Vale” foi o álbum de estreia dos Baltum e foi alvo de uma receção efusiva no underground nacional, fazendo, também ecos por outras paragens. A HellHeaven esteve à conversa com a banda para os conhecer um pouco melhor e, também, perceber os desafios para uma nova banda. Entrevista: Nuno C. Lopes

 

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HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns pelo vosso álbum de estreia “Aeternum Vale”, que saiu no final de 2023. Após este tempo como olham para a forma como o disco foi rececionado e se essas reacções foram, de alguma forma, inesperadas?

Baltum: Muito obrigado pelo destaque ao nosso “Aeternum Vale”, antes de mais. A recepção ao álbum foi um pouco inesperada, sem dúvida. Não sabíamos ao certo como os fãs e a crítica iriam receber o nosso mundo e o nosso trabalho, apesar de termos dado o nosso melhor e acreditarmos ter em mãos um trabalho sólido. Temos recebido feedback muito positivo, algum dele além-fronteiras, o que nos motiva bastante para continuarmos a trilhar o nosso caminho em direcção a um futuro lançamento.

 

HellHeaven: Apesar de a banda ter nascido em 2021, todos vocês já estiveram (e estão) envolvidos noutras bandas e projectos. A questão é, como é que nasceram os Baltum e qual o conceito da banda?

Baltum: Os Baltum surgem no seguimento dos Mortualium. Largos anos após o término desse projecto Algarvio, houve a vontade e a disponibilidade para o retomar. Houveram alguns ensaios e foi lançado, inclusivé, um EP que contém um tema da demo de 1999.

Após alguns ensaios e ligeiras mudanças de formação, fez sentido encerrar o capítulo dos Mortualium, dando início a composições ligeiramente diferentes, mais coesas e intrincadas. Surgem, então, os Baltum, apelidados pelo nome Romano de Albufeira.

Em relação ao conceito de Baltum, não há uma linha única pela qual nos guiamos ou inspiramos. Temos o intuito de fazer música pesada e, ao mesmo tempo, harmoniosa.

Um tema que nos tem dado algum gozo explorar tem sido o dos Serial Killers. Nas nossas letras irão encontrar referências a alguns deles enquanto noutras estaremos a explorar desejos ou sentimentos mais pessoais, estando por vezes a fazer uma junção de ambos.

 

HellHeaven: Falámos de outros projectos e bandas e, agora com Baltum, qual é o desaio em termos de agenda e, também, no que diz respeito à forma como dividem a música pelos diferentes projectos?

Baltum: Será sempre um desafio conciliar agendas entre todos os nossos projectos musicais, e vida pessoal, mas nada que nos faça pensar em desistir ou abrandar. Cada elemento de Baltum sabe o trabalho de casa que tem para fazer e, dessa forma, conseguimos ter uma agenda mais eficiente. Em termos de música, ao compor um riff não procuramos que seja agressivo ou melódico, por exemplo. Criamos riffs por instinto e, só depois, direccionamos aqueles que nos agradam para os projectos em que fazem mais sentido existir. Podem, até, acabar por ficar de parte até surgir a música ideal para os usar.

 

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HellHeaven: Antes do lançamento do álbum, e ainda em 2023, lançaram um álbum ao vivo e um EP, como surgiu a ideia destes lançamentos e qual o motivo para terem saído antes do álbum?

Baltum: Principalmente, esses lançamentos surgiram pela necessidade que sentimos em ter algum tipo de registo que nos ajudasse a promover a banda. O LP já estava em planeamento mas iria demorar algum tempo até estar finalizado. Após ouvirmos a gravação desse concerto em Faro, decidimos que seria uma boa forma de nos dar a conhecer ao público mais distante de uma forma mais orgânica ao vivo. Em relação ao EP, sentimos também que era necessário ter material para nos promover mas com maior qualidade de som. Qualidade de estúdio. Uma vez que ainda faltavam ultimar alguns pormenores nas músicas do LP, o avanço desse EP pareceu-nos pertinente.

 

HellHeaven: Voltando a 2021, a banda é formada e depois chega o Covid e os confinamentos, de que forma isso acabou por influenciar o trabalho da banda e a composição deste álbum? Até porque a formação da banda está dividida entre o Alentejo e o Algarve.

Baltum: Como este projecto foi evoluindo de forma muito gradual , o Covid acabou por não nos lesar assim tanto em termos de composição ou evolução, como afectou inúmeras bandas, infelizmente. Por outro lado, houve um “boom” de projectos musicais, e retomar de outros, pois havia mais tempo passado em casa. A evolução e facilidade com que se montam home studios hoje em dia também acabou por ajudar bastante e os Baltum tiraram proveito disso. Grande parte do álbum, assim como algumas letras, foram compostas pelo Kenneth (guitarra ritmo/back vocals) e pelo Ângelo (bateria). Só mais tarde, o Sérgio ( Voz ) acabaria por se juntar ao projecto, trazendo consigo o seu poder vocal e a sua escrita sombria. Já numa fase final em termos de composição, o Marco S. (guitarra lead/back vocals) junta-se ao projecto, ainda a tempo de completar algumas ideias de guitarra lead, assim como adicionar alguns solos. Por fim, junta-se o Marco R. (baixo), numa fase em que já todas as linhas de guitarra e baixo estavam compostas. Contornamos a questão da distância fazendo ensaios em Albufeira, sem o Sérgio (voz). Ele faz o seu trabalho de casa ensaiando sobre o instrumental.

 

HellHeaven: Em termos sonoros, apesar de algumas coisas que vos aproximam do Melodic Death Metal, parece que, em muitos casos, os Baltum se aproximam mais do Black Metal, não só em termos de som mas, também, em termos concetuais. Estarei longe da verdade? Qual a melhor definição para a banda?

Baltum: É sempre uma questão pertinente e que gera ligeiras discórdias (risos). Não criamos música para nos identificarmos com um estilo específico. Não que haja algo de errado com isso, claro, mas o nosso foco está mais alinhado para criar uma sonoridade pesada, obscura e com uma componente melódica forte. Influências de outras bandas poderão sempre ser encontradas e, embora não sejam intencionais, acabam por nos fazer sorrir nalguns casos. Analisando a nossa sonoridade, toda a descrição que contenha “black metal”, “death metal” e “melodic”, tendo mais proporção de um ou outro, acaba por ser assertiva. De qualquer das formas, esperamos que Baltum possa emergir e prevalecer com um pouco de cunho próprio.

 

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HellHeaven: Sendo os Baltum uma nova banda, quais são os desafios para conseguir “furar”, mesmo que seja num meio pequeno como o nosso e, no seguimento, vêm a internacionalização da banda como uma possibilidade?

Baltum: Hoje em dia existem bastantes bandas a praticar sons mais extremos com grande qualidade em solo Nacional, o que é óptimo, obrigando a um esforço redobrado na composição e entrega de material de qualidade. As redes sociais ajudam bastante na promoção e na expansão além-fronteiras mas o trabalho de uma editora/promotora é vital. Tudo vai depender do interesse e das propostas que surjam. É sabido que a maior parte das bandas deste meio não lucram ou o fazem com grande escassez, então, qualquer deslocação além-fronteiras terá que ser sempre bem ponderada. Terá que ser vista, em última análise, como um instrumento de promoção que poderá abrir novas portas.

Esse tipo de proposta seria recebida com o maior entusiasmo mas cremos ser necessário firmar-nos primeiro no nosso underground e obtermos a maior coesão possível enquanto banda.

 

HellHeaven: O álbum está cá fora, obteve uma boa receção e agora, como será em termos de agenda? Existe alguma coisa planeada? E ideias para um segundo álbum já existe ou é uma coisa ainda em fase de ebulição?

Baltum: Temos um concerto agendado para dia 3 de Fevereiro no Bafo de Baco, em Loulé, BAFORADA V, pela mão da A3 (Associação Algarve Alternativo) com IRAE e RUACH RAAH. Iremos aproveitar esta data para o lançamento físico do “Aeternum Vale”. Apareçam! Temos mais datas a surgir mas ainda carecem de confirmação. Estamos a pensar no segundo álbum, de facto. Ainda é um caminho longo e desconhecido mas já temos algumas ideias a serem desenvolvidas. Todavia, estamos mais preocupados em preparar os concertos, em promover o Aeternum Vale e colher os seus frutos.

 

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HellHeaven: Qual a mensagem que deixam para os nossos leitores
Baltum: Passem pelo nosso canal do Youtube, Bandcamp e Spotify para deixarem o vosso feedback, gostos e partilhas. São pequenas coisas que fazem toda a diferença, acreditem. juntem-se a nós ao vivo e cantem connosco. Continuem a apoiar o metal nacional e todas as instituições/associações que diariamente por ele lutam. Tudo é feito com muito trabalho e dedicação. Se apreciarem o nosso trabalho, adquiram o álbum para nos ajudar a ir mais além. Muito obrigado, novamente, à HellHeaven pela oportunidade e a todos vós!

 

 

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