“Nonagon” é o mais recente álbum dos noruegueses Blood Red Throne e, numa altura em que estão confirmados para duas datas em solo nacional, este é um registo que prova a vitalidade da banda e, também, um manifesto de pura força e destruição. Estivemos à conversa com ”Død” Olaisen. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns por “Nonagon”, qual a tua opinião sobre o resultado final e qual a expectativa em relação ao álbum?
”Død” Olaisen: Muito obrigado, Nuno! O “Nonagon” é a nata do death Metal e combina o oldschool com a new school, na minha opinião! Sinto que elevamos a fasquia a cada álbum e este álbum soa mais pesado do que nunca. Espero que os fans de Death Metal consigam apanhar este disco por entre a selva de lançamentos! Sei que não serei a melhor pessoa para dizer, mas o “Nonagon” é diferente de tudo o resto e vai estar disponível em vários formatos, por isso ou compram ou choram! (risos)
HellHeaven: Os Blood Red Throne começaram há 26 anos e desde aí muita coisa mudou, não apnas no Metal e na industria mas, principalmente na forma como se consome música. Como olhas para estes tempos e o que recordas dos velhos tempos?
”Død” Olaisen: É natural que as coisas evoluam e fico bastante feliz por ter feito parte dos velhos tempos! Para mim tudo começou nos anos 80 com as cassetes, depois veio o CD nos anos 90 e, continuo a ter uma grande coleção, também tenho alguns vinis mas raramente lhes toco! O que sinto mais falta desses velhos tempos é o facto de, nessa altura, as pessoas retirarem o tempo para apreciarem tudo o que era um álbum, liam as letras, olhavam para o artwork e para o livro. Actualmente as pessoas ouvem um par de músicas e passam para a banda seguinte. Felizmente muitos metalheads são nostálgicos e continuam a adquirir os formatos físicos e a comprar merchandise. As coisas são o que são e respeito ambas as opções! O importante é que nos continuem a apoiar e mantenham interesse na nossa música sem me interessar no meio que utilizam para o fazer.
HellHeaven: O “Nonagon” saiu no dia 26 Janeiro e, ao fim de tantos anos nisto ainda sentes nervosismo ou algum tipo de ansiedade a cada lançamento?
”Død” Olaisen: Não! Escrevo Death Metal há 30 anos e sei como é que se deve fazer e, também sei, que este álbum tem qualidade superior e os fans vão conseguir perceber isso! Se o que procuram é um disco sempre a abrir, com groove, brutal e de topo, não precisam de procurar mais! (risos)
HellHeaven: Este álbum também marca a estreia do Sindre na voz, ele que começou como baixista, porque esta mudança e o que é que ele traz aos Blood Red Throne?
”Død” Olaisen: O Sindre é o nosso novo vocalista mas não é o nosso baixista! Ele apenas trata do baixo ao vivo enquanto o nosso baixista está hospitalizado a tratar da leucemia! Era algo que estava destinado a acontecer, o Sindre cumpre todos os requisitos e eleva a fasquia do caminho que a banda quer seguir! Não há stress na banda e as coisas estão, finalmente, a ir de forma tranquila… finalmente! (risos)
HellHeaven: És o único membro fundador da banda e, com isso em mente, de que forma todas as alterações na formação influenciaram o crescimento, ou o caminho, da banda? Como olhas para a banda neste momento?
”Død” Olaisen: Fui eu que comecei a banda e que escreve a maioria da música e não mudo o meu estilo! Escolhemos o Death Metal como caminho e isso nunca vai mudar enquanto estiver nesta banda! A maior mudança é a mudança de vocalista e fazer as apresentações, toda a gente tem um favorito mas, pessoalmente, sinto que actualmente temos o vocalista mais forte e que encaixa na perfeição no nosso som, além disso, ele também quer tocar ao vivo o máximo possível, por isso, todos ficamos a ganhar.

HellHeaven: Este é o primeiro disco após a pandemia e todo o pesadelo que vivemos nos últimos anos. De que forma isso influenciou o que se ouve em “Nonagon” e como é que a pandemia afetou os BRT?
”Død” Olaisen: Estávamos no México quando a pandemia rebentou e felizmente conseguimos chegar à Noruega a tempo! Para ser sincero a pandemia não me afetou muito e consegui passar bem o tempo com a família e com os meus interesses além de escrever material para as minhas bandas! Acho que este intervalo fez bem a toda a gente e quando o Mundo voltou a abrir estava toda a gente em beast mode e esfomeada por voltar a tocar ao vivo!
HellHeaven: Voltando a “Nonagon” e falando da música, o álbum tem todos os elementos que estão na base dos BRT mas, ao mesmo tempo, parece que estão a entrar numa nova Era e a colocar outros elementos na música. Foi algo planeado ou foi a música que vos guiou nesse sentido?
”Død” Olaisen: Obrigado por teres notado isso! É dessa forma que nos sentimos! O Death Metal continua a ser a base mas tem algo fresco e não consigo encontrar nenhuma banda que soe como nós e não estou a querer dizer que estamos a inovar ou o que seja, mas sim que temos a nossa sonoridade e isso é importante nos dias de hoje! Não diria que foi algo planeado mas idolatramos o nosso género e conseguimos desenvolver o nosso som a cada novo álbum.
HellHeaven: Qual a mensagem de “Nonagon” e qual o conceito de todo o álbum?
”Død” Olaisen: A mensagem do álbum e manter um olhar crítico em relação a tudo o que se passa à nossa volta, como as guerras, a segregação e a brutalidade humana no geral, este é um álbum sobre reflexão. Muitos destes temas são retirados dos nove círculos do Tormento, no Inferno de Dante e as letras são, como esta resposta sugere, para ser interpretadas por quem ouve e daí retirar a sua opinião e sentido.

HellHeaven: A banda é conhecida pelas suas actuações ao vivo e, finalmente, podem voltar aos palcos, quais são os planos nesse sentido?
”Død” Olaisen: Tocámos bastante em 2023 para celebrar o 25º aniversário da banda e 2024 não será diferente, até porque temos um novo álbum para promover! Já temos concertos marcados um pouco por todo o Mundo e vamos estar em Portugal para dar 3 concertos em Junho, vamos estar em Guimarães, Loulé e Lisboa e vamos também tocar na Islândia pela primeira vez, estamos ansiosos por isso, sem mencionar que vamos estar, novamente, no 70,000 Tons of Metal e estamos ansiosos por regressar.
HellHeaven: Ao fim de 26 anos o que falta aos Blood Red Throne conquistar? Existe algo que gostassem de fazer ou tentar no futuro?
”Død” Olaisen: Ainda existem continentes e locais onde ainda não fomos, como a Ásia e Austrália, mas já estou a trabalhar nisso e creio que vai acontecer! Há também alguns festivais onde ainda não fomos e gostava muito de poder fazer uma digressão com Cannibal Corpse ou Deicide, nem que fosse como banda de abertura, mas isso o tempo vai mostrar se é ou não possível! O que posso garantir é que os Blood Red Throne vão continuar por muito tempo!