COVEN JAPAN- "Às vezes pensamos que deveríamos ter nascido na Europa" (Entrevista)

Earthlings” é o disco de estreia dos japoneses Coven Japan e, como já é hábito, é um manancial de puro Heavy Metal, aliando a NWOBHM com toda a história e cultura nipónica, onde nem o anime escapa. A HellHeaven esteve à conversa com a vocalista Taka para conhecer melhor esta banda. Entrevista: Nuno C. Lopes

 

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HellHeaven: Começo por dar os parabéns pelo “Earthlings” que é o vosso disco de estreia. Quais os teus pensamentos sobre este álbum e qual o sentimento por esta conquista?

Taka: Agradeço também o teu interesse na banda e por nos receberes na HellHeaven! Estamos muito satisfeitos com este álbum e, também, por ter sido lançado pela No Remorse Records, que é uma editora fantástica e que leva o Metal tradicional a todo o Mundo e que nos ajudou muito no processo do álbum e em fazer deste álbum melhor, ainda consegues encontrar alguns temas no Bandcamp e perceber a diferença que fez ter alguém profissional, como o Olof, dos Enforcer. Estamos a receber feedback muito positivo e isso deixa-nos felizes, esta entrevista é um desses momentos! (risos)

 

HellHeaven: Vocês começaram em 2016 simplesmente como Coven, a que se deveu a mudança de nome?

Taka: Adicionámos “Japan” ao nome para que não houvesse confusão com os americanos Coven, uma banda dos anos 70, e também para dar ênfase à nossa nacionalidade e identidade. Para ser honesta quando demos o nome à banda nem conhecíamos os Coven americanos, o nome vinha da “Into the Coven” dos Mercyful Fate. Podem pensar que a ideia de adicionar “Japan” também é uma reminiscência dos lendários X-Japan e sim, também têm razão, até porque somos bastante influenciados por eles! (risos)

 

HellHeaven: Um dos pontos interessantes na vossa música é o facto de usarem a linguagem ancestral e medieval japonesa com o inglês. O que levou a esse caminho e qual a dificuldade de combinar os idiomas?

Taka: Enquanto japonesa, sou uma pessoa orgulhosa pela minha língua e, também, pelo sotaque e pronúncia, mas, se cantar tudo em japonês, muitas pessoas não vão entender as letras e, para nós, o facto de as pessoas cantarem os temas com a banda é uma das coisas divertidas no Heavy Metal. Juntar as línguas não é assim tão difícil, acho que é mais difícil explicar do que as combinar! (risos)

 

HellHeaven: A vossa música e o imaginário que criaram remetem para comik books e animação, o que no leva à palavra “Otaku”. O que nos diz esta referência e de que foema ela vos define enquanto pessoas e músicos?

Taka: “Otaku” é uma palavra na gíria japonesa e que descreve as pessoas com interesses na manga ou no anime. É uma palavra japonesa única, tal como Emoki ou karaoke! Sou uma típica Otaku e cresci a ver manga e anime. Os temas de anime são, por norma muito catchy porque as crianças tendem a aborrecer-se e a perder o foco mais cedo, por isso é que os temas são simples. De um ponto de vista extremo as canções anime são criadas com o refrão no inicio e depois no fim… um drama! (risos)! Como desde criança me habituei a estes sons é natural que isso se reflita na banda. Ao mesmo tempo que a população metal está a diminuir o anime e a manga é enorme e continua a crescer nas novas gerações e nós queremos alargar a nossa base de fans.

 

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HellHeaven: Na Europa estamos habituados a ver as bandas lançarem edições especiais dos álbuns no Japão, qual o motivo para isso e qual a relação dos japoneses com o Metal?

Taka: Como deves imaginar os japonese adoram colecionar formatos físicos, Cds e vinis de tudo o Mundo e juntam-se em Shinjuku e Shibuya, que ficam em Tóquio. De forma a conseguirem ir ao encontro da procura as companhias decidiram ter estas edições especiais e, assim, manterem as vendas fortes. Infelizmente o Metal tradicional não é muito popular no Japão por estes dias. Se as mulheres tocam Metal ficam presas num género que é o Jyo Metal, em que se apresentam de forma sexy, isso tem geralmente muito sucesso. Nmos homens o Metalcore, Melodic Death e Thrash ainda são populares, assim como os clássicos Loudness, X Japan ou Anthem. Às vezes pensamos que deveríamos ter nascido na Europa, porque ainda é um mercado muito atractivo e há muitas bandas e festivais, mas somos japoneses e queremos ganhar novos fans e mudar a situação no nosso país, até para ajudar os mais novos.

 

HellHeaven: Nos últimos anos o Mundo começou a prestar mais atenção à música feita no Japão e na Coreia, o que ajuda a chegar a uma maior audiência. De que forma isso pode ajudar os Coven Japan e quais são as expectativas em relação ao “Erthlings”?

Taka: Como tu disseste, e enquanto japonesa, sinto que alguma música japonesa está a atrair a atenção do Mundo e acho que a razão para isso se prende com a originalidade. Algumas bandas cantam em japonês e, talvez por isso, temos o nosso próprio estilo, outras bandas são mais técnicas, o que relaciono com o facto de sermos um país tecnológico, somos um povo que tende a estudar muito, por isso há muitas razões. Por isso, acho que quem prestar atenção à originalidade japonesa vai acabar por chegar a nós! Quanto ao álbum, ele fala sobre todas as criaturas que partilham o mesmo planeta e, recentemente, temos vindo a destruir o Mundo e a causar problemas de toda a espécie, se isto continuar assim nesta idiotice vamos acabar por destruir as sociedades e a ignorar a nossa responsabilidade, o que vai levar a algo pior. Este álbum é exactamente sobre isso, mas não me importo que as pessoas não entenderam a mensagem mas gostem da música, porque o importante é que o “Earthlings” é Heavy Metal! (risos) Já agora, deixa-me dizer que a mulher que aparece na capa sou eu! (risos)

 

HellHeaven: Falavas à pouco do facto dos japoneses serem tecnológicos e, numa altura em que muito do nosso dia-a-dia passa pela tecnologia, como é que isso pode ser uma vantagem para a banda?

Taka: Existem prós e contras, no entanto damos as boas vindas à tecnologia que permitiu ter um maior acesso à música. Actualmente as pessoas encontram música através das plataformas digitais e acho que é um processo natural para chegar a algum lado, pois se gostarem vão acabar por adquirir a música num formato físico. Claro que os Coven Japan estão nessas plataforma, Youtube, Bandcamp, Facebook ou Instagram, por isso podem ir pesquisar. Para ser honesta gosto muito do formato físico.

 

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HellHeaven: Quanto ao vosso som, podemos mesmo dizer que a vossa música se baseia na NWOBHM mas com uma combinação da vossa própria história. Quais são as principais influências?

Taka: As nossas influências são a NWOBHM e o Metal dos anos 80, mas também encontras coisas do Hard Rock dos anos 70 e música dos anos 90, Hardcore, Punk e até Pop. Se tivesse que nomear bandas elas seria os Diamond Headm Tank, Metallica, Kreator, Loudness, Judas Priest, Thin Lizzy, entre muitas outras. Depois vem também toda a inspiração do Rock/Pop japonês, onde se inclui muitas canções anime. Por isso, posso dizer que somos junkies musicais.

 

HellHeaven: Agora que o disco está lançado quais são os planos para o promover ao vivo? Existe alguma possibilidade de ver os Coven Japan na Europa?

Taka: Vamos estar no Up the Hammers, na Grécia, em Março e estamos a planear algumas datas na Europa depois disso, por isso basta estarem atentos às nossas redes sociais. Por outro lado, se alguma banda tiver interesse em tocar em Tóquio seria perfeito e pode ser que consigamos ajudar em alguma coisa! (risos) De qualquer das formas há muita coisa que queremos fazer e estamos muito entusiasmados com o futuro!

 

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HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para Portugal…

Taka:Vamos fazer o nosso melhor para poderir a Portugal no futuro! Ouçam o “Eartlings” e apoiem os Coven Japan! Quero, também, agradecer à HellHeaven pela entrevista! Obrigado amigos e vemo-nos em breve.

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