CULTO MACABRO (Entrevista) «Gostava que os músicos em Portugal tivessem mais apoios e até a possibilidade de poder ter formação musical gratuita»

«Sagrado Paganismo» é o mais recente lançamento de CULTO MACABRO! Neste projecto a solo Melkor (Martelo Negro, Namek, entre outros) entra nas catacumbas do paganismo. A HellHeaven esteve à conversa com o próprio. Entrevista: João Gama.

 

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HellHeaven: Olá, e parabéns pelo álbum de estreia “Sagrado Paganismo” que saiu em Maio! Como está a ser recebido?

Melkor: Saudações, João Gama e Nuno Lopes, muito obrigado! Se me permites a correção, não é o álbum de estreia, é o segundo álbum. O primeiro (Anjo Demente: A Eterna Jornada ao Abysmo) foi lançado em 9 setembro de 2015, também em formato digital em k7 pela Satan Hades Productions. O “Sagrado Paganismo” está a ser muito bem recebido, embora seja um álbum a solo. Mas ainda é demasiado cedo, pois a promoção ainda está a decorrer e certamente chegará a mais pessoas.

 

HellHeaven: Culto Macabro é um projecto relativamente recente, que além deste álbum lançou um par de demos anteriormente. O que nos podes dizer acerca da história, conceito e objectivos deste projecto?

Melkor: Este projeto começou com um desafio lançado pelo Simão Santos, vocalista de Martelo Negro e Namek, em que cada um de nós teria de compor dois temas de Black Metal e gravar para sair numa compilação. Realmente fiz esses dois temas, e de seguida mais sete pois achei que faltava algo e não estava completo, por isso decidi fazer o “Anjo Demente: A Eterna Jornada ao Abysmo”. Foi lançado em formato digital e em k7 pela Satan Hades Productions.

 

HellHeaven: É um projecto a solo, pretendes que continue assim? Porquê?

Melkor: Pretendo continuar desta forma, pois já tenho as minhas bandas e digamos que a música não me dá de comer, portanto Culto Macabro teria de dar dinheiro para fazer uma banda em que todos os músicos envolvidos fossem pagos. De outra forma não faz sentido, pelo menos em Portugal.

 

HellHeaven: Não só és um multi-instrumentista neste projecto, como tens estado envolvido em inúmeras bandas. Qual é a tua estratégia para separar os vários projectos e manter as suas próprias identidades isoladas?

Melkor: Não é complicado desde que consiga sempre “separar as águas”. São muitos projetos e bandas, mas com sonoridades bem distintas, daí conseguir separar bem cada projeto. Não existe um igual ao outro.

 

HellHeaven: Tens também trabalhado enquanto produtor e a produção deste “Sagrado Paganismo” ficou a teu cargo. Sentes que é um processo diferente quando produzes/misturas material teu (em oposição a material de outras bandas)?

Melkor: É sempre muito diferente porque só conto com os meus ouvidos e a minha opinião. Por esse motivo é mais simples. Por outro lado, torna-se complicado chegar à mistura e masterização que pretendo, um ou mais pares de ouvidos ajudam no processo. Neste caso demorei praticamente um mês a produzir e masterizar, até ficar satisfeito. Por fim gostei do resultado e ficou como está. Passando sensivelmente um mês já faria de outra forma!

 

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HellHeaven: A composição e produção ficaram a teu cargo, mas as letras foram escritas pela Neusa Pires. Podes contar-nos mais sobre ela e sobre esta colaboração?

Melkor: A única coisa que me assusta neste processo são mesmo as letras. No álbum anterior decidi fazer também as letras, mas não saíram grande coisa. Para este álbum decidi que teria de ter ajuda neste processo, portanto falei com a minha companheira acerca da temática e em poucos dias criou 6 temas. Não é aquele Black Metal clássico e cliché, nem eu queria isso, preferi ter letras um pouco diferentes, mas dentro da mesma temática.

 

 

HellHeaven: Em termos de promoção, a música “Devasssa” teve direito a vídeo. Porque escolheste esta para single? E quem esteve envolvido na realização do vídeo?

Melkor: Mais uma vez, a realização deste vídeo também é de minha autoria. Escolhi este vídeo porque já tinha o tipo de vídeo/imagens na minha cabeça e achei que com a letra poderia pôr imagens mais “pesadas” e poder chocar um pouco.

 

HellHeaven: O black metal está mais bem aceite em território nacional agora do que há umas décadas. E se formos bem a ver as coisas há uma grande atracção pelo estilo. Por exemplo, uma pesquisa rápida pelo metal archives mostra que dos 40 álbuns lançados em Portugal nesta primeira metade de 2023, 16 são de black metal. Qual pensas ser o fascínio em geral pelo black metal? E o que te atrai a ti em específico?

Melkor: Talvez, tal como eu, sejam atraídos pelos riffs rápidos, e pela temática, em que alguns acreditam e outros simplesmente gostam do que é escrito. Para mim é uma temática como outra qualquer e conta uma história. Eu não misturo música com religião.

 

HellHeaven: A teu ver, enquanto músico, o público está bem receptivo a este movimento do black metal especialmente underground? Ou acaba por ser um nicho especial por passar despecebido em comparação com estilos/bandas mais populares?

Melkor: O publico vai aparecendo, mas não deixa de ser um nicho. Mas tenho notado que cada vez mais vão aparecendo pessoas mais novas com gosto pelo estilo. Em Portugal, na minha opinião, este estilo nunca será comercial, será sempre underground. Talvez numas gerações mais à frente a coisa mude, mas não acredito muito

 

 

HellHeaven: Tencionas levar o projecto ao vivo? Se sim, como?

Melkor: Não tenciono levar ao vivo. Para levar Culto Macabro aos palcos teria de conseguir com que os músicos fossem pagos, pois não faz sentido passar horas a compor e a tocar para receber nada em troca ou meia dúzia de trocos ou de cervejas. Há bastantes custos associados a fazer um álbum, mesmo que seja com estúdio próprio.

Em termos de publico, as pessoas, na sua maioria, preferem gastar bastante mais dinheiro para ver bandas estrangeiras do que para ver bandas portuguesas, isto de uma forma bastante generalista e sem olhar a estilos de música.

 

HellHeaven: Por último, que mensagem gostarias de deixar aos fãs/leitores?

Melkor: Gostava que os músicos em Portugal tivessem mais apoios e até a possibilidade de poder ter formação musical gratuita, coisa que nunca tive.
E sempre que possam vão a concertos, vejam e oiçam o que é nosso, há muita qualidade no nosso underground.

 

 

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